:: O cio na rapariga agirá paranóico

 

Algumas coisas devem ser evitadas a todo custo em um evento do porte do FIC Brasília. Como já disse nos posts anteriores, o festival não se entendeu bem com as legendas. Teve ainda filme acelerado e cópia que não agüentou todas as exibições. Atrasos no início das sessões também aconteceram. Minha quinta começou com um desses. Lúcio Flávio, o passageiro da agonia, de Hector Babenco, teve sua exibição iniciada 15 minutos após o horário previsto.

Impossibilitado de ver os mais de cem filmes divididos em doze mostras, concentrei-me nas Competitiva e Preview, não deixando de lado as que estão homenageando o ator Milton Gonçalves e o diretor Nelson Pereira dos Santos. Apaixonado por cinema brasileiro, não poderia deixar passar a oportunidade de rever esses filmes em uma tela “maiorzinha” (entenda como um leve desprezo pelas telas atuais e saudosismo em relação aos antigos telões).

Eu tinha apenas cinco anos de idade quando Lúcio Flávio foi feito, em 1977. Assisti em meados dos anos 80 e lembrava mais do livro que do filme. Revê-lo agora tinha um motivo a mais. Há alguns meses entrevistei José Louzeiro, autor do livro que deu origem ao filme. Entrevista ainda inédita e que guardo com muito carinho. Dentre muitas coisas, falamos sobre o verdadeiro Lúcio Flávio.

Depois foi a vez do alemão, Sophie Scholl – Os últimos dias, de Marc Rhotemund. Sophie Scholl é cinemão, mas não leve pipoca. É feito para emocionar e mexer com nossos ideais de justiça e liberdade, até porque sabemos o final da grande história que engloba o filme – o regime nazista – o que só faz aumentar a empatia do espectador com os personagens.

O nome da personagem principal, assim como toda a história, é verídico, mas parece ter sido escolhido propositadamente. Sophie – Sabedoria – é uma garota idealista que, ao lado do irmão, participa de um grupo de resistência ao nazismo. É bem dirigido e cheio de detalhes que não passarão sem ser notados pelos mais atentos. A fotografia é parte importante no filme, reforçando a idéia de quem são os heróis e quem são os vilões, principalmente durante os interrogatórios feitos pelo investigador Mohr com Sophie. A cena que encerra o destino dos personagens principais é tão brutal quanto sensível.

A terceira sessão dessa quinta ficou com Palindromes, de Todd Solondz. Desde o início do VII FIC Brasília, comenta-se sobre esse filme. Não é para menos. Agora que vi, posso dizer: é o preferido para ganhar a Mostra competitiva. Ou pelo menos o meu preferido. Para os mais ortodoxos e conservadores, o filme pode se apresentar confuso e politicamente incorreto. Em alguns momentos parece fazer pouco de crianças deficientes ou com doenças graves, mas como disse o próprio Todd em uma conversa depois da sessão, uma das cenas em que as crianças estão reunidas é das mais tocantes do filme.

Palindromes mete o dedo em várias feridas da sociedade americana: o aborto, a perseguição de grupos religiosos em relação aos médicos que fazem aborto, gravidez precoce, pedofilia, fundamentalismo religioso,... A ousadia de usar oito atrizes completamente diferentes para fazer a personagem principal – Aviva – é um dos maiores charmes do filme. Não importa como a pessoa pareça, ela é a sua essência. Isso também gera uma identificação maior do público, principalmente o feminino: há uma criança negra, uma ruiva, uma mais latina, uma loira, uma negra enorme... O trabalho de direção das atrizes é tão competente que muita gente termina o filme pensando que a voz das oito é uma só.

Todd, tanto falando quanto dirigindo, é extremamente didático. Ele mostra o sentido palindrômico da vida não só através da história ou dos nomes dos personagens (Aviva, Otto, Mom...), mas também com explicações dadas pelos próprios. Até algumas brincadeiras que poderiam passar despercebidas são explicadas.

Você se considera liberal em relação a temas polêmicos? E se a polêmica estiver diretamente ligada a você, como você agiria? Palindromes é um filme para ser visto e admirado. Se puder, aproveite para aprender com ele sem precisar passar por muitas das situações ali apresentadas. Reveja também seus preconceitos. Eu, por exemplo, já não acho que filme americano seja necessariamente idiota.

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Mais notas sobre os filmes e o VII FIC Brasília no site da revista SET.



Escrito por Sandro Fortunato às 04h23
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:: Viola, nazismo e erotismo coreano

 

Na reta final do VII FIC Brasília, o festival começa a ferver. Há mais participação dos diretores e o evento deixa de ser apenas uma mostra de filmes para se tornar palco de debates, palestras, troca de idéias, início de projetos. Esta quarta foi o “dia dos diretores”. Mudei minha programação inicial – o que significou não assistir a estréia de Por dentro do Garganta profunda – e estive em três filmes que tiveram as presenças dos respectivos diretores: Helena Meirelles, a dama da viola, 2 ou 3 coisas que sei sobre ele e Green chair.

O documentário Helena Meirelles, a dama da viola mostra a vida, o local onde vive, os costumes e, principalmente, a música dessa lendária figura nascida no Mato Grosso do Sul. Helena aprendeu a tocar violão sozinha quando isso era coisa só para homem. Achou pouco e foi “tocar na zona”. Muito conhecida e admirada por várias gerações na região em que foi criada, desapareceu por quase 30 anos e foi redescoberta após uma matéria na revista americana Guitar Player, no início dos anos 1990. Em 1993, a mesma revista a colocou na lista dos “100 mais” do mundo por sua atuação nas violas de 6, 8, 10 e 12 cordas. Outros nomes da lista: B. B. King, Eric Clapton, George Benson e por aí vai...

Conversei com o diretor Francisco de Paula, que me falou sobre a saga que foi finalizar esse filme. O primeiro contato com Helena e sua família foi no final da década de 1990, mas, por dificuldades em captar recursos, o filme foi gravado em várias fases a partir de 2001 e finalizado no ano passado. A dama da viola apresenta depoimentos de admiradores, explica alguns costumes locais, mostra a influência paraguaia na música do Mato Grosso do Sul e tem uma estrela contadora de causos – quase todos tendo ela própria como protagonista. Tudo isso com muita música que faria qualquer breganejo meter sua viola no saco.

Em seguida, assisti 2 ou 3 coisas que sei sobre ele. O tema “nazismo” sempre me chamou atenção. Com os 60 anos do final da Segunda Guerra, o assunto vem ganhando filmes de ficção, documentários, livros e matérias jornalísticas. Recentemente fiquei bestificado com o excelente A queda, que mostra os últimos dias de Hitler. Nesta edição do Festival Internacional de Cinema de Brasília, há ainda outro filme que aborda o nazismo – Sophie Scholl: Os últimos dias. Este 2 ou 3 coisas... é diferente de tudo já visto porque aborda o tema a partir de uma visão muito delicada: a da família de um carrasco nazista. O diretor Malte Ludin é filho de Hanns Ludin, um oficial nazista acusado de desempenhar um papel central no extermínio da população judia da Eslováquia. Ele expõe a história do pai - condenado e enforcado - através de depoimentos de três gerações de sua família. O documentário começa com sua irmã mais velha dizendo: “Eu tenho direito de ver meu pai da maneira que eu quiser. Isto é um direito meu. Você não pode tirar isto de mim”. Ludin, o filho, disse antes do filme que o tema pode parecer muito distante para o público brasileiro e pediu que a fotografia fosse apreciada. É verdade que o filme foi feito de forma bem profissional, mas isso não importa nem um pouco. Interessante mesmo é ver como seis décadas depois, os filhos de um oficial nazista ainda sofrem com o dilema do pai-carrasco e têm dificuldades de aceitar que o homem responsável por tantas mortes seja o mesmo que brincava com eles. Malte esperou a morte da mãe para fazer o filme. No mínimo, perseverante e corajoso.

Green chair, o último filme do dia, também contou com a presença de seu diretor, o coreano Park Chul-Soo. Muito simpático, antes da exibição Chul-Soo brincou dizendo que não havia colocado tantas cenas de sexo para conseguir sucesso de bilheteria e que por isso elas eram longas e repetitivas, mas que isso era algo que combinava com aquela noite. Green chair é um dos melhores filmes deste FIC e está sendo exibido na Mostra competitiva. Depois de ter assistido 9 Canções e seu sexo sem sentido, Green chair, com seu erotismo delicado e as descobertas entre o casal de amantes Moon-hee e Hyun, fica ainda mais bonito. Erótico, romântico, contestador e divertido, é desses filmes sobre o qual se pode falar durante horas ou não falar nada para que tudo nele seja uma deliciosa surpresa, como cada novidade descoberta pelos personagens sempre que fazem amor.



Escrito por Sandro Fortunato às 04h20
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:: Trambiques, neuroses e um sexozinho

A sessão da tarde desta terça ficou por conta do peruano Doble juego, de Alberto Chicho Durant. Engraçadinho, serviu para relaxar. Sessão da tarde mesmo. A história recente do país, mais uma vez, serve como pano de fundo. As pessoas estão desesperadas por dinheiro e fazem qualquer coisa para consegui-lo. É um filme light. Os personagens não são trabalhados a ponto de chocar o espectador. Na verdade, todos parecem demasiado inocentes nesse jogo de “sacaneie ou seja sacaneado”. Serve como parábola do que aconteceu no governo Fujimori. Apesar de, teoricamente, o condutor da história ser o sonhador diretor Rafo, o destaque do filme é o trambiqueiro Salvador Gutiérrez. Além disso, percebe-se que los hermanos, así como nosotros, gostam de belas mulheres e não se importam em expô-las sem que isso tenha qualquer necessidade para o desenrolar da trama. Sem maiores pretensões. Para ver sem dor e sem culpa.

O segundo filme do dia, Carreiras, de Domingos de Oliveira (na foto ao lado), mostra, como de costume, o mundo de seu diretor: as neuroses da classe média carioca, sempre com situações autobiográficas e a participação do próprio. Domingos e Priscila Rozenbaum, sua companheira na vida real e protagonista do filme, estavam presentes à sessão. Com baixíssimo orçamento – praticamente uma câmera e mais nada –, o filme acabou de ser finalizado e estreou nas telas nesta edição do FIC Brasília na Mostra competitiva. Em agosto, concorrerá também em Gramado. O filme é todo de Priscila e é quase “teatro filmado”. Logo no início, em uma conversa sobre cinema e teatro, em uma mesa de bar e da qual o próprio Domingos participa, explica-se sobre “cinema caber no teatro” e a dificuldade de se fazer o contrário. O filme mostra uma noite na vida de Ana Laura, uma jornalista em crise, que cheira cocaína quase sempre que respira. A história começa com sua insegurança em ser preterida por apresentadoras de TV mais novas e termina com uma surpresa. Pelo menos para a personagem.

A última sessão foi uma espécie de Sexta Sexy. Ainda me impressiono como sacanagem chama atenção. O filme 9 Canções vem lotando as sessões e talvez seja um dos piores entre os mais de 100 exibidos neste FIC Brasília. São cenas de shows intercaladas com outras de sexo explícito com direito a closes. Seria mais honesto se fosse chamado de 9 Bimbadinhas. No futuro, quando descobrirem fitas VHS de Traci Lords e companhia, dos anos 80, dirão: “Eles sabiam se divertir!”. Quando encontrarem um DVD de 9 Canções, dirão: “Aqui eles já estavam desaprendendo como se fazia sexo”. Talvez adolescentes inexperientes pensem que aquilo é sexo – até é, mas dos piores – e sintam-se empolgados. Eu quase dormi. Pode ser um filme indicado para se deixar passando, sem som, em uma suruba onde todos estejam bastante drogados. Se você quiser se divertir com algum filme de sexo, pegue qualquer um na locadora. Não precisa escolher. Qualquer coisa que você pegar será melhor.

Todo mundo conhece algum casal que acha que só eles fazem sexo, só eles gozam, que acreditam ter descoberto algo que ninguém mais conhece. Tenho a impressão de que o casal do filme é um desses e resolveu mostrar seu sexo sem graça ao mundo achando aquilo chocante. Mas pode ser que o diretor tenha feito um filme sobre bandas horrorosas e o departamento de censura – ou algo que o valha – da Inglaterra o tenha obrigado a colocar cenas de sexo explícito para que o filme fosse proibido para menores. “Non queremos que nossos crianças vexam esse porcaria! Bota muita sexa explícita!

A melhor cena de sexo do filme – acreditando que a idéia não era fazer um pornô barato – é a da protagonista com seu vibrador. Não é à toa que está no cartaz principal e em quase todas as peças de divulgação.



Escrito por Sandro Fortunato às 01h21
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:: Os pobres e os podres

Isolados nesta pequena ilha e se comunicando por um código secreto chamado português, muitas vezes não percebemos o rico mar espanhol que nos cerca por todos os lados. Somos ignorantes em relação à cultura de nossos países vizinhos. Quando muito, sabemos que tango é o samba da Argentina e que seu grande nome é Carlos Gardel, que nem argentino era. Assim como os americanos acham que Buenos Aires é a capital do Brasil, dificilmente você encontrará um brasileiro que não confunda as capitais dos nossos países vizinhos. Isso se souber o nome de alguma delas. Ou, pior, o nome de algum dos países.

Estou falando isso porque nesta segunda, em pleno Festival Internacional de Cinema de Brasília, que tem um público com nível cultural bem acima do brasileiro mediano, escutei que o filme Dias de Santiago contava uma história que se passava no Chile. Ok, Santiago é capital do Chile. Mas o Santiago em questão é um ex-combatente da marinha peruana e mora em Lima, capital do Peru.

Che Guevara ainda precisa nos levar a passear por muitas plagas...

Este Santiago do Peru tem 23 anos e mostra a incapacidade de adaptação de um ex-soldado em uma Lima que não lhe oferece perspectivas. Repleto de paranóias, o jovem tenta seguir sua vida, mas é atormentado por tudo que o cerca: família problemática, amigos que viram assaltantes de bancos, empregadores que o rejeitam, comerciantes que não lhe dão créditos, novas amizades que não o entendem...

Algumas situações chegam a ser engraçadas, mas lá pela metade do filme começa-se a se desconfiar que a vida de Santiago não vai dar em nada. Dias de Santiago colecionou prêmios em vários festivais latinos e não está na Mostra Competitiva do FIC a passeio.

Logo depois foi a vez de Enron: The smartest guys in the room, que mostra a derrocada da gigantesca empresa americana. É uma experiência interessante. Sabe-se tudo que vai acontecer mas o jogo de intrigas consegue prender a atenção como se o resultado final pudesse ser outro que não o conhecido. A narração é feita por Peter Coyote, o que empresta dramaticidade extra à história. Os fãs de Michael Moore – eu incluso – não conseguem deixar de pensar como seria aquele filme se dirigido por ele. Seria mais uma bola dentro no Oscar ou em Cannes. Enron tem seus momentos de cinismo por parte da direção, mas nada comparado com a cara de pau de Moore. Bom mesmo é saber que ele, Moore, abriu as portas para que o gênero documentário ganhasse visibilidade mundial e fizesse com que mais gente nos Estados Unidos resolvesse pensar e avaliar os pilares podres que sustentam a “maior democracia do planeta”.

É também interessante, para os brasileiros, assistir Enron neste momento. Particularmente, senti pena do amadorismo de Marcos Valério e de nossos políticos. Somos tão provincianos que ainda nem aprendemos a roubar direito. Andy Fastow, só com uma empresa criada especialmente para fazer negócios com a Enron, embolsou, até onde se sabe, 45 milhões de dólares. E neguinho aqui se vendendo por 30 moedas...



Escrito por Sandro Fortunato às 02h45
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:: Vidas secas, diferentes e em outro planeta

Assisti alguns filmes de Nelson Pereira dos Santos quando saiu uma coleção com seu nome, em VHS, no final dos anos 1980 ou início dos 1990. Eu tinha uns 17 anos. Li Vidas secas, de Graciliano Ramos, nos tempos de ginásio. Adulto, me convenci de que tudo que li de bom naquele tempo deveria ser relido. Há mais ou menos um mês, chegou a vez de Vidas Secas. Li o mesmo livrinho dos tempos de ginásio, amarelado e com a capa amassada. E nesse domingo, assisti Vidas secas, de Nelson Pereira, no Festival Internacional de Cinema de Brasília.

Percebi certo estranhamento das pessoas no cinema quando os personagens Fabiano e Sinhá Vitória têm seu “primeiro diálogo”. Eles falam ao mesmo tempo e quase não se entende o que dizem. Fiquei imaginando quantas pessoas que não leram o livro poderiam entender aquela situação. Quer saber o porquê? Vá ler o livro...

O segundo filme do domingo foi Lila diz. Adoro cinema francês e não via nada desde A professora de piano – que na verdade é “meio francês, meio austríaco” – e O fabuloso destino de Amélie Poulain, ambos de 2001. É impressionante como os franceses são fascinados pelas idéias de Eros e Thanatos. Tirando Amélie Poulain, por motivos óbvios, não lembro de ter visto, no cinema, um único filme francês que não fizesse algumas pessoas saírem antes da metade da exibição. Eles não têm pudores para falar de sua sexualidade. São extremamente eróticos. Deliciosamente eróticos. Com todas as suas taras. Quem “não tem problemas na área” se delicia e quando você já está subindo pelas paredes acontece algo que destrói completamente tudo o que foi mostrado. Uma grande sabotagem, um balde de gelo, uma puxada de tapete, uma facada no peito que eles tratam com a mesma naturalidade com que tratam o erotismo.

Lila dit ça não é diferente. A garota Lila, de 16 anos, deixa o muçulmano Chimo, de 19, enlouquecido – no bom sentido –, mas acaba deixando muito mais gente enlouquecida – no mau sentido – e... é melhor você assistir. Mas lembre-se: é um filme francês. Não é recomendável para gente reprimida ou que ache que toda história deva ter final feliz. Filmes franceses nunca terminam bem. A não ser Amélie Poulain.

A garota de Monday foi a grande surpresa do dia. Recebi a programação dos filmes que seriam exibidos no VII FIC Brasília dois dias antes do início do festival. Concentrei-me na Mostra competitiva e na Mostra Preview, além de alguns filmes brasileiros. Não tive tempo de procurar saber quais filmes valiam a pena serem vistos e, na primeira relação que montei, deixei A garota de Monday de fora. Depois refiz minha programação com mais calma e o incluí. Cesta de 3 pontos!

Pode-se dizer que “nem parece filme americano”. Sobretudo em se tratando de humor, que é fino. Hal Hartley não é um diretor muito conhecido por aqui. Como em outros filmes seus, ele denuncia e faz pouco de um mundo alienado. Isto é, curte com a alienação do mundo que conhece bem: o americano.

A história se passa em um futuro próximo, após a Grande Revolução que colocou a empresa Triple M (Multi Media Monopoly) no poder. As pessoas são bens e podem, por exemplo, fazer um seguro para seu próprio sex appeal. Seu valor no mercado aumenta cada vez que fazem sexo. Se feito por amor ou prazer, é considerado reacionário. A agência de publicidade que mantém a imagem desse mundo chega a pensar em uma campanha para que as pessoas façam operações de coração, sem que sejam necessárias, aos 30 anos! Pensou em cirurgia estética? Pois é...

É nesse mundo louco que aparece uma linda “mulher” vinda da estrela 147X na constelação Monday, onde os seres não têm nomes, nem corpos, nem identidades. Ela é encontrada em forma humana por Jack, que trabalha na agência mas secretamente lidera um grupo contra-revolucionário. A garota procura um companheiro, que veio para a Terra anos atrás e não conseguiu regressar, tendo se tornado cada vez mais humano.

Filmado em vídeo digital, A garota de Monday abusa dos efeitos e possibilidades dessa técnica e pode até cansar um pouco, mas é diversão garantida. E como bônus, a personagem-título é feita pela belíssima Tatiana Abraços, modelo brasileira, que disse que viria ao FIC Brasília para ver a estréia do filme em seu país mas deixou todo mundo na vontade. Deve ter voltado para Monday.



Escrito por Sandro Fortunato às 02h50
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:: Da depressão ao futuro fantástico em quatro sessões

A quase uma hora e meia do filme Como passam as horas demora a passar. Nos primeiros 15 minutos, já havia gente dormindo – e roncando! – no cinema. Resisti bravamente, acreditando em uma virada do personagem Santi, interpretado pelo garoto Augustín Alcoba, mas isso não aconteceu. O fato de ser um filme argentino também não ajudou. Mostrou-se chato como um bom argentino e não cativante como bom cinema argentino.

Se tivesse sido reduzido a uns 15 minutos da participação de Santi, talvez tivéssemos um curta engraçadinho. Depressivo ao extremo e um tanto sem sentido, o espectador só não corta os pulsos porque sequer se anima a isso. Dorme antes. Evite e seja feliz. Ou mantenha uma cópia em casa para as noites de insônia.

Na seqüência, assisti Como era gostoso o meu francês, pela Mostra Nelson Pereira dos Santos. É interessante rever filmes brasileiros dessa época – 1960/1970 – em cópia digitalizada. A platéia, mais uma vez, não superou uma dúzia de gatos pingados. E, ao final, tive a velha impressão de que aquelas pessoas estavam ali para assistir Batman! Saem com um cara de decepção como se tivessem entrado naquela sala por engano. Um ou outro sempre solta uma pérola em voz alta: “Sem comentários!”, “Que bosta!”, “Já viu tal filme? Tem a mesma temática mas é muito melhor”.

O VII FIC Brasília (ainda) não se acertou com as legendas. No documentário A queda de Fujimori, que assisti na quinta, quase no final, um entrevistado explica que o ex-presidente peruano não pode ser extraditado do Japão por ter cidadania japonesa. Ele diz: “We have a political problem”. A legenda, exibida a parte por um projetor já que o filme não está “oficialmente” legendado em português, mostrava: “Nós temos um problema apolítico”. A political problem virou apolitical problem, o que não faz qualquer sentido. Na sexta, A Rainha Diaba, filme brasileiro, foi exibido com legendas em português. Esforcei-me para acreditar que era uma forma de permitir a prováveis deficientes auditivos que desfrutassem da exibição. Para mim, foi uma experiência única. Nunca pensei que uma legenda pudesse atrapalhar tanto! Hoje, Como era gostoso o meu francês, que é falado em tupi e francês, foi exibido com legendas em espanhol, o que não deve ter permitido uma boa compreensão dos totalmente ignorantes em tupi (como eu), espanhol e francês. Depois vieram O Liberace de Bagdá, com legendas que falharam a cinco minutos de terminar o filme, e 2046, falado em chinês, com legendas em italiano e mais legendas em português.

Os dois últimos filmes merecem comentários.

O Liberace de Bagdá foi feito por Sean McAllister, da BBC, que foi ao Iraque com o intuito de fazer um documentário sobre a vida do país pós-Saddam. No hotel onde fica hospedado, conhece Samir Peter, que já foi o pianista mais famoso do país e agora toca por alguns trocados. A partir da história do pianista, o diretor tenta mostrar um Iraque redimido pela deposição do ditador pelos Estados Unidos, mas só consegue descobrir um país que vive o ditado “ruim com ele, pior sem ele”. Samir quer ir para os Estados Unidos onde estão a esposa, dois filhos e netos. Outro casal de filhos mora em Bagdá, em uma casa para a qual ele quase não volta após suas apresentações. É mais seguro dormir no hotel.

Quando mostra um dos palácios de Saddam destruído, Samir se indigna: “Tanta gente passando fome e ele construía esses palácios. Eles achavam que nunca iriam morrer. Fico feliz em ver tudo isso destruído”. A filha Sahar, que não quer deixar o Iraque, pensa diferente: “Desde a queda de Saddam, os americanos não fizeram nada por nós. Acha que se fossemos um país pobre e sem petróleo, ligariam para o que Saddam estivesse fazendo com a gente?” Em outro momento ela pergunta: “Por que não fizeram nada durante 35 anos? Por que deixaram Saddam crescer tanto?” Quando Sean pergunta se ela não se sente melhor agora com o país livre e podendo se expressar, ela rebate: “Livre? Há mais caos agora. Se expressar para quem?”

Longe de ser tão profissional e bem acabado quanto A queda de Fujimori, O Liberace de Bagdá conquista pelo tema mais atual e de interesse mais abrangente, mas seu grande trunfo é mesmo a figura do pianista Samir. Depois de um ataque que deixa vários mortos, ele diz ao diretor: “Fiquei pensando se não vamos acabar assim, com nossos corpos sendo filmados por jornalistas”. Diz isso e ri com a certeza de que deve aproveitar cada momento de vida. O instante seguinte é totalmente imprevisível.

O quarto filme do dia (ufa!), décimo primeiro em quatro dias de Festival, foi 2046. Exibido pela primeira vez em Cannes no ano passado – quando Fahrenheit 9/11, de Michael Moore levou a Palma de Ouro – 2046 é um filmaço de Wong Kar Wai para ser visto e revisto com muito gosto e atenção. Chow é um jornalista que ganha a vida escrevendo ficção para um jornal e "2046" é uma história futurista, escrita por ele, sobre um lugar ou um ano para onde as personagens se deslocam à procura das suas memórias perdidas. Precisa dizer mais? Assista. Assista. Assista. Eu vou assistir de novo.



Escrito por Sandro Fortunato às 03h44
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:: De cara com a Rainha Diaba

 

Saí do filme A Rainha Diaba com o título do texto de hoje: “Passa, pra Diaba, a tesourinha”. É a primeira fala da personagem-título e eu iria fazer uma brincadeira com o fato de o filme ter sido exibido com legendas em português. Ia pedir para a Diaba passar a tal tesourinha nas legendas. Mas aconteceu de eu sair da sala de exibição e dar de cara com a própria Rainha Diaba, digo, com o ator Milton Gonçalves, que estava lançando sua biografia pela coleção Cadernos Cine Academia.

Milton Gonçalves – Um negro em movimento, escrita por Claudio M. Valentinetti, é o quinto livro da série. Aliás, assim que me aproximei da banca onde estavam autografando o livro, Valentinetti olhou para minha camisa, na qual estava escrito “I am Evil”, e perguntou: “Por que você é mal?”. Ao que prontamente respondi: “Vesti isso em homenagem à Rainha Diaba”.

Extremamente solícito e simpático, Milton sugeriu que fizéssemos imediatamente a entrevista já que ele estaria deixando Brasília no dia seguinte. “Senta aí! Senta aí!”. Tive vontade de pedir um chopp. Milton é um dos mineiros mais cariocas que existem. Sem papas na língua, falou por meia hora, sendo interrompido algumas vezes para dar autógrafos ou fazer fotos. Escutá-lo é ainda mais surpreendente do que vê-lo e tentar acreditar que completará 72 anos de idade este ano. É um garoto! Cheio de vida e muitas histórias para contar.

Sobre A Rainha Diaba ter sido inspirado em Madame Satã, ele desmentiu com veemência. Contou que encontrou o próprio quando o filme estava sendo feito. “Tá fazendo o filme da minha vida?”, perguntou. E Milton: “Não, Madame Satã. O personagem que estou fazendo é outro viado. A única coincidência é que é preto que nem você”. Disse ainda que impôs ao diretor Antonio Carlos Fontoura algumas limitações em relação ao personagem. Que tipos de limitações? “Pau com pau, beijo na boca... não era por nada, mas não ia acrescentar nada ao personagem”.

Sobre o filme, contou que teve apenas dois aborrecimentos. Um com um cara na rua que sempre gritava quando ele passava: “Rainha Diaaaaaaaba! Negão viaaaaaado!”. Um dia ele foi atrás do abusado para tomar satisfação e lhe dizer alguns desaforos. Em outra ocasião, parado em um sinal de trânsito, outro sujeito se aproximou perguntando se não era ele que havia feito Rainha Diaba. Com a resposta afirmativa, foi se aproximando até estar com a cara na janela do carro e se declarar: “Sou amarrado numa bicha!” O sinal abriu e Milton saiu. “Aí cai na besteira de olhar pelo retrovisor. O filho da puta não tava com a mão no pau me amostrando?!” Hoje, passados trinta anos, ele conta isso rindo, mas disse que na hora teve vontade de dar a volta e atropelar o safado.

Quando comentei sobre Quanto vale ou é por quilo?, filme de Sérgio Bianchi atualmente em cartaz em várias praças e no qual Milton faz a narração, ele não percebeu imediatamente do que se tratava. Ainda não assistiu.

No papo, falamos também de seus três filhos, de seus hábitos de mero mortal – como fazer compras e apostar na loteria –, de outros filmes e de seus planos para o futuro. Para encerrar, perguntei o que havia acontecido de melhor em toda sua história: “Viver, cara, viver!! A minha expectativa de vida era de 40 anos, estou com 71 e estou aqui em pé, tomando meu vinhozinho, conversando”, disse antes de sair para jantar com alguns familiares. E, sempre bem humorado, completou: “a minha expectativa maior é ter um neto. Meus filhos são todos preguiçosos”.

* * *

A íntegra da entrevista estará, em breve, no site Memória Viva.



Escrito por Sandro Fortunato às 03h09
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:: Rio 40 graus, Dom Hélder e Fujimori

 

Incrédulo, às vezes demoro a me convencer de certas coisas. De uma tese minha, que se reforça a cada filme brasileiro que assisto no cinema, eu não tenho mais dúvidas. Está comprovada: o público brasiliense não é chegado a cinema brasileiro.

Digo isso porque, tirando os manjados filmes da Globo Vídeo e sua divulgação onipresente, nos últimos quatro anos nunca assisti a um filme brasileiro que tivesse uma platéia superior a 15 pessoas. Foi assim, há algumas semanas, com o excelente Quanto vale ou é por quilo? do sempre incisivo Sérgio Bianchi. Foi assim com Rio, 40 graus, de Nelson Pereira dos Santos, no primeiro dia de mostras do VII Festival Internacional de Brasília. Foi quase assim com Dom Hélder Câmara – O santo rebelde, no mesmo dia. A exceção talvez tenha ficado por conta de a diretora, Erika Bauer, morar em Brasília e, mesmo não estando presente, ter arrastado alguns conhecidos e admiradores à primeira exibição no FIC. Ainda assim, não havia 30 pessoas na sessão.

Rio, 40 graus, de 1954/55, primeiro filme de Nelson Pereira dos Santos, dispensa comentários. Foi, certamente, o grande inspirador do Cinema Novo. Na mostra em sua homenagem que acontece na atual edição do FIC – Brasília, também serão exibidos Vidas secas (1963), Fome de amor (1968) e Como era gostoso o meu francês (1971). Pretendo ver todos.

O segundo a que eu assistiria neste primeiro dia, seria O Liberace de Bagdá, único que vi formar fila na porta da sala de exibição. Além de ter atraído um bom público, a fila teve outro motivo: o início da exibição atrasou em 20 minutos. Caiu a última reserva da pontualidade brasileira: a sessão de cinema! Impaciente como todo bom ariano, saí da fila e procurei outro filme que estivesse começando imediatamente e terminasse antes que a terceira sessão iniciasse. Escolhi Dom Hélder Câmara – O santo rebelde.

O filme sobre o arcebispo emérito de Olinda e Recife, falecido em 1999, enfoca desde sua participação como figura central da ala progressista da Igreja Católica, na década de 1950, criando a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), até suas ações durante a ditadura militar. Em 1970, o governo proibiu qualquer publicação na imprensa “de ou sobre Dom Hélder”. Durante esse período, o arcebispo viajou pela Europa a convite de grandes universidades para proferir palestras sobre justiça e paz. Sua luta é contada por amigos, estudiosos e por ele próprio, em cenas até então inéditas.

O filme, lançado no ano passado, tem feito carreira nos festivais brasileiros. Foi selecionado para o Cine Ceará 2004, para o Festival Internacional do Rio 2004 e ganhou dois prêmios especiais no último Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, além de ter sido exibido este mês na mostra Brésil em mouvements, dentro das comemorações do Ano do Brasil na França. Vale a pena!

O terceiro e último filme do dia foi A queda de Fujimori. Nele, a cineasta Ellen Perry monta um retrato do ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, hoje um fugitivo da justiça daquele país. Durante dez anos, Fujimori governou o Peru e travou uma guerra contra o terrorismo, principalmente, contra o Sendero Luminoso. Driblando a Constituição Peruana – e ele conta como de forma cínica em um dos momentos mais risíveis do filme –, conseguiu eleger-se pela terceira vez, mas depois de um escândalo de corrupção no qual o chefe da polícia secreta, Vladimiro Montesinos, aparece em um vídeo pagando propina a um congressista, Fujimori foge para o Japão e renuncia.

Momento de reflexão: a propina, há alguns anos, foi de 15 mil dólares. Hoje, com o dólar em baixa, isto seria uns 38 mil reais. Até no quesito propina o Brasil paga mal! O que se sabe é que o esquema envolvia centenas de políticos, empresários, artistas de TV. Tudo para viabilizar o apoio necessário à manutenção de Fujimori no poder. E tudo foi gravado pelo próprio Montesinos. Quando El Chino (Fujimori) colocou a mão na coleção de fitas, passou três dias com elas. Adivinhe para quê...

O filme mostra desde o surgimento do desconhecido candidato até sua promessa de disputar as eleições em 2006, passando pelo conturbado divórcio – em que a então ainda primeira dama disputou a presidência com ele – e pelo seqüestro de mais de 70 pessoas durante quatro meses na Embaixada do Japão que terminou com a invasão do local e a morte de todos os seqüestradores.

Às vezes existe a impressão de que a diretora deixou Fujimori se defender à vontade e montar uma bela imagem de si mesmo, mas isso é puro policiamento ideológico. Perry consegue mostrar diferentes ângulos da trajetória do ex-presidente por meio de várias entrevistas. A estréia do filme, em janeiro deste ano no Sundance Film Festival, teve todas as sessões lotadas. Se depender do boca a boca, as próximas sessões no FIC também estarão bem cheias.

* * *

Acompanhe-me no VII FIC – Brasília pelas fotos em meu Flog e pela seção Takes no site da revista Set.



Escrito por Sandro Fortunato às 03h18
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:: Noite de abertura do VII FIC Brasília

 

Em noites de abertura de festivais de cinema, todos são astros e estrelas. Todos querem aparecer, querem ser vistos e reconhecidos. Olham tanto para seus próprios umbigos que até os famosos passam despercebidos.

Cheguei cedo à abertura do VII Festival Internacional de Cinema de Brasília, nesta quarta, 20 de julho, e dei de cara com Paulo Betti e Tizuka Yamazaki ainda como meros mortais. Dali a instantes, as luzes mais fortes iriam se acender, o tapete vermelho seria estendido e a festa começaria. Eu, sempre discreto e observador, fiquei por ali me fingindo ora de coluna, ora de parede.

A um comando, holofotes acenderam-se, risos estamparam-se, flashes espocaram. Tizuka Yamazaki estava solícita e simpática. Tanto a ponto de corrigir gentilmente um repórter de TV que a chamou de Tizuka Kawasaki. Eu não seria tão simpático. Mas se há algo neste mundo que não tem limites é a ignorância. Tizuka parece saber disso e compreensiva como só os orientais e seus descendentes sabem ser, repetiu com toda educação: “Yamazaki! Yamazaki!”

Era querer muito que profissionais de imprensa que não sabem o nome de uma diretora brasileira tão premiada pudessem reconhecer alguém do elenco. Eu, nessa hora disfarçado de porta, fui o primeiro a fotografar Tamlyn Tomita. A japonesinha radicada nos Estados Unidos é muito conhecida dos que eram adolescentes no tempo em que Ralph Macchio e Pat Morita distribuíam porrada politicamente correta em Karate Kid. Tomita é a namoradinha de Daniel Sam em Karate Kid II. Lá se vão 19 anos.  E naquela época, ela tinha 20 anos. Isso mesmo: Tamlyn Tomita completará 40 anos em 2006 e continua com o mesmo rostinho de boneca.

Recentemente, Tamlyn esteve no papel de Janet Tokada em O dia depois de amanhã. No filme de Tizuka, Gaijin - Ama-me como sou, ela é Maria, uma descendente de japoneses, e faz par romântico com o ator cubano Jorge Perrugoría. Gaijin 2, como também é chamado, abriu o evento mas não está competindo. Só fará isso, no próximo mês, em Gramado. O filme conta a história de quatro gerações de mulheres que vivem entre dois países. Adivinhe quais...

O público do FIC teve uma reação simpática e educada, mas pouco calorosa em relação ao filme. Não vou dar uma de crítico de cinema aqui no blog, mas durante os próximos dias falarei um pouco sobre cada um dos filmes assistidos. Como disse a própria Tizuka, não é preciso assistir ao primeiro Gaijin para entender o segundo. Reforço: não se trata de Guerra nas estrelas ou O Senhor dos Anéis. Há momentos muito bons, nos quais tudo funciona: direção, fotografia, atuação... Lá pelo meio, o que era bom parece ter virado uma novela mexicana. Creio que japoneses, nisseis e sanseis irão gostar. Não sei. Sei lá... cansei.

Mais tarde tem mais. Clique aqui para ver as fotos da primeira noite.



Escrito por Sandro Fortunato às 06h27
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:: Tipo assim... rapidão!

 

:: VII FIC Brasília

Começa hoje, quarta-feira, a sétima edição do Festival Internacional de Cinema de Brasília. Até o próximo dia 31, estarei enfiado na Academia de Tênis, onde acontece o evento, tentando assistir, pelo menos, 25 dos cerca de 100 filmes que serão exibidos.

Vocês poderão acompanhar meu quase acampamento no FIC aqui pelo Leseira e pelo flog, que serão atualizados diariamente.

:: 5 a 1 para Linda Lovelace
 
Não disfarço minha expectativa por assistir Por dentro do Garganta profunda. O filme Garganta profunda nasceu no mesmo ano que eu, 1972, e foi meu primeiro... como dizer... "contato com aulas em vídeo" lá pelos 15 anos de idade. Fenton Bailey, um dos diretores do documentário estará por aqui. Quero ver a cara do safado...

:: Fellini

Para quem não sabe, fui Fellini em outra encarnação, ainda que ele tenha morrido quando eu já tivesse 21 anos. Você não entende nada de burocracia kármica, então fique quieto. Pois então... a mostra de Fellini, que venho religiosa e diariamente acompanhando desde o dia 10 deste mês, terminará no próximo domingo. Ainda pretendo assistir Prova d'orchestra, La città delle donne e E la nave va.

:: 30 anos de Punk

Termina hoje a mostra 30 anos de Punk no Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB de Brasília. Vi Dead Boys, não vi Dead Kennedys, vi Sex Pistols, não vi Ramones, não revi Sid & Nancy e não vi Clash City Rockers porque não tenho mais paciência de esperar atraso de show nem muito menos para circular entre aborrecentes que pensam ser punks.
 
:: Vou me mudar para a Índia

Não fique triste. Só irei quando a Suprema Corte aprimorar uma decisão publicada ontem, 19 de julho. A sentença proíbe buzinas entre 22h e 6h, e também veta fogos, música alta e festas, nesse mesmo intervalo de tempo. A decisão responde a uma ação coletiva contra a poluição sonora no país. Especialistas em saúde pública dizem que o barulho é uma importante causa de problemas cardíacos. Assim que proibirem barulho durante todo o dia, eu me mudo.

:: A pequenez aspeada

Lula lá na comemoração dos 50 anos da Alstom, empresa dos setores de energia e transporte ferroviário, falou que a pequenez política não pode desencaminhar o país. Alguns órgãos noticiosos grafaram a palavra pequenez entre aspas. Por que só ela e não toda a frase? Seria para destacar algum erro ou estranheza? Não entendi. Pequenez é qualidade de pequeno, já dizia aquele dicionário mineiro, o “Uais”.

:: Fui...

... mas volto com as notícias do FIC. Sempre de madrugada.



Escrito por Sandro Fortunato às 07h43
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