:: Tipo assim, rapidão...

:: Mada X Axé Beats

Não tem nem graça comparar. Durante o último feriadão, enquanto acontecia aqui em Brasília o evento de título brega Axé Beats, rolava em Natal a sétima edição do Mada – Música Alimento da Alma.

O “Axé” teve O Rappa, Paralamas, Eagle-Eye Cherry... de axé mesmo, só o último dia com Ivete Sangalo e uma dessas bandas bregas da Bahia. Passaporte mais barato para os três dias: 90 reais por cabeça.

O Mada teve Barão Vermelho, Paralamas, Marcelo D2 e Planet Hemp (mesmo!), Marcelo Nova e Camisa de Vênus (!!!!!) e mais de 20 bandas de vários Estados que não deixaram por menos e não se acovardaram diante dos grandes nomes do evento. Passaporte para os três dias: 40 reais por cabeça.

Na foto, Meg, da banda carioca Luxúria, no Mada, fotografada por José Luiz Coe.

:: Enquanto isso...

Em outros lugares, o Corpus Christi também pegou fogo (ficou estranho isso!). A terceira edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival apresentou, dentre outros, Wagner Tiso, Vitor Biglione, Chicago Blues Ladies & Blues Jeans, Big Joe Manfra, Sérgio Duarte, Celso Blues Boy, Jefferson Gonçalves Blues Band, Eddie C. Campbell e
Egberto Gismonti.

Tudo de graça.

:: Mais uma Preá

E como sempre faço, aviso por aqui quando recebo a Preá, revista cultural editada pela Fundação José Augusto, em Natal. A de número 11 traz uma entrevista com Giovanni Sérgio, um dos melhores fotógrafos do país (fui aluno do pai dele, Joanilo Rêgo) e que, se tivesse resolvido deixar a província, seria, no mínimo, tão conhecido quanto Sebastião Salgado. Talento nunca lhe faltou.



Escrito por Sandro Fortunato às 14h58
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:: Nossa marcha – MST, imprensa, povo...

Na segunda semana de maio, eu estava em São Paulo. No dia 10, fui à cerimônia de premiação do iBest, uma festa para 3 mil pessoas. O público era formado por profissionais da área de Internet que estavam ali para receber prêmios por seus sites, diretores de bancos e outras grandes empresas, modelos famosas e atores globais, numa festa apresentada por Pedro Bial. Todos conectados com o mundo e com acesso às mais modernas tecnologias de comunicação. Uísque do bom rolando solto, garçons e garçonetes tentando agradar a todos, gente lhe paparicando, muitas máquinas digitais, flashes para todos os lados. Pessoas bebendo além da conta e dando vexame, outras achando que eram gente porque vestiam terno e por aí vai. Uma festa burguesa, com certeza.

Enquanto isso, 12 mil pessoas estavam na metade do caminho entre Goiânia e Brasília. Eram militantes, simpatizantes e agregados do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Marchariam ainda mais uma semana até chegar à capital federal. Levariam duas semanas para cumprir um trecho que se faz, de avião, em 15 minutos. Comiam arroz, feijão e salada nas marmitas servidas diariamente. Dormiam em barracas e marchavam 17 quilômetros por dia. O objetivo era ocupar a Esplanada dos Ministérios e cobrar do presidente suas promessas de campanha, principalmente a de assentar 430 mil famílias até o final do próximo ano. Pessoas de chinelo querendo ser reconhecidas como gente. Uma manifestação popular, com certeza.

Voltei à Brasília na sexta-feira, 13, antes que a marcha alcançasse a cidade. Pensei que pudesse acompanhá-la e fazer algumas fotos durante os dois dias que deveria passar por aqui. É a primeira e talvez a única marcha desse porte no governo Lula, aliado histórico do MST e principal esperança política de que as metas prometidas sejam cumpridas. A marcha chegou à cidade na segunda, 16. Meu filho resolveu nascer no mesmo dia e acabei vendo a marcha pelos jornais.

Mas minha amiga Taís, assessora de imprensa do MST, viveu a experiência de acompanhar as duas semanas da marcha e, entre umas tapiocas e umas cervejas, conversamos sobre o movimento, o trabalho da imprensa, como a notícia chega aos leitores e telespectadores, sobre fundamentalismo, erros, acertos, inclusão digital e Sem Terras passeando no shopping.

Passei cinco dias pensando sobre essa conversa toda – que foi muito informal – e quanto mais pensava, mais me aprofundava nos temas. Se pensasse por mais uma semana, sairia um livro e não um post. Portanto, vamos lá.

“A história de todas as sociedades que já existiram é a história de luta de classes”. A frase que abre O manifesto comunista, de Marx e Engels, não sai de minha cabeça. O que nós estamos vivendo com o MST é exatamente isso. Para quem vive na cidade, pega seu carrinho para ir ao trabalho, tem celular, computador, acesso à Internet e outras maravilhas do mundo moderno, esse papo de MST parece algo muito distante. Nós não estamos preocupados com a terra, mesmo sendo sem terras. Não sei você que está lendo, mas a única terra que eu tenho é aquela vermelha, horrorosa, daqui de Brasília que fica nas meias, na barra das calças, nos cabelos e que vai embora a cada banho. E a maioria dos meus amigos e conhecidos, quando muito têm algum concreto. Terra, nenhum deles têm. Devem dar graças ao supermercado e suas prateleiras sempre abastecidas. Se tivessem que plantar para comer, já estariam todos mortos.

Continua no post abaixo



Escrito por Sandro Fortunato às 21h08
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Para nós, urbanóides, falar em luta pela terra parece coisa do início do século passado. Algo assim como a Revolução Russa, proletariado contra burguesia, camponeses exigindo poder... E tudo não já deu errado? O comunismo não acabou? Então que história é essa de luta de classes, de lavrador querendo terra? Por que esse povo não vai trabalhar em vez de ficar pedindo esmola ao governo?

Essa última pergunta foi feita pelo garçom que nos servia.

O jovem de seus 20 e poucos anos, nascido numa capital, que chegou à universidade e está batalhando pelo seu sustento faz parte de um grupo que deveria entender o porquê da existência de um movimento como o MST e tudo que acontece ao seu redor. Mas não sabe. Ele é a cara da maioria da sociedade brasileira que torce o nariz para o que não parece ser problema seu. Que fica irada porque uma manifestação está atrapalhando o trânsito e fazendo com se chegue atrasado ao trabalho.

Essa grande parte da sociedade não diferencia MST de comunismo ou socialismo até porque não sabe o que significa nada disso. Acha que ali tem um monte de vagabundo brincando de fazer revolução, “aquele negócio que aconteceu em Cuba”. Que aquilo ali não vai mudar nada.

Eu até posso achar que também não vai mudar nada. Mas acho isso por ser anarquista. Não acredito em qualquer forma de governo, não acredito em santos no poder, nunca acreditei que o Lula – com quem simpatizo e até teria votado se tivesse me dado o trabalho de transferir meu título de eleitor – vá fazer qualquer grande mudança, assim como não acredito que seria feita por qualquer outro governo de centro, de direita ou de esquerda. Hay gobierno, soy contra!

Como em qualquer outra sociedade, em qualquer período da História da humanidade, viveremos sempre assim: participando de ou assistindo lutas de classe.

Mas eu acredito em momentos históricos. Acredito que essas lutas devam existir. E acredito que o MST vive seu melhor e mais forte momento. Até pelo fato de vir se mostrando extremamente organizado. Isso de alguém subir em um caixote e convocar, aos berros, um monte de trabalhadores para uma luta com foices e enxadas é coisa para romance, para filme. Coisa do passado. Hoje temos trios elétricos, rádios, assistência médica, banheiros químicos, celulares, Internet... e tudo isso deve ser usado por qualquer movimento para atingir os objetivos a que se proponham. O MST não perdeu a “espontaneidade”. O MST se estruturou. A isso se chama sociedade civil organizada. Outra coisa que qualquer pessoa que tenha tido a oportunidade de chegar à universidade deveria saber o que é.

Quem faz Jornalismo, estuda – em tese e ainda que superficialmente – Sociologia e Política. Nos meus tempos de faculdade, no final da década de 1980, ainda eram comuns os grupos comunistas e, mais na moda, os petistas. Independente de quaisquer inclinações políticas ou radicalismos, quase todo mundo inicia na profissão acreditando que poderá contribuir para a diminuição das diferenças entre as classes. Quase todo mundo acha que vai ser uma espécie de “Robin Hood das letras”. Que vai escrever nos jornais e revistas ou aparecer na TV dizendo que aquela camada social que está na base da pirâmide tem os mesmo direitos dos que estão no topo.

Continua no post abaixo



Escrito por Sandro Fortunato às 20h59
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Balela! Como bem dizia o velho Assis Chateaubriand, “quem quiser ter opinião que compre seu próprio jornal”. Vem o primeiro empreguinho e você escreve o que o dono manda. Ou isso, ou fica sem emprego. Com o tempo, sua vida vai melhorando e, com sorte e talento, você acaba trabalhando em um grande jornal, estampando seu nome junto à matéria, acreditando que é o dono da verdade e que todo mundo sabe quem você é. A essas alturas, seu salário já está na casa dos alguns mil reais. Você está pagando um bom apartamento, tem um bom carro, freqüenta bons restaurantes, pede sushi para mostrar que sabe “comer com pauzinho”, toma aquele vinho que dizem que é bom, cita o nome daquele cara importante a quem você fez uma pergunta numa coletiva e dá a entender que vocês são íntimos... Se você conquistou tudo isso em alguns anos, porque qualquer outro não poderia fazer? A vida é bela, o sol nasce para todos e mais uma dúzia de outros bordões que douram a pílula do mundo capitalista. “Aqui não tem problema/ só se você quiser/ este é o país do futuro/ tenha esperança e fé”. E se o preço para essa desejada paz é escrever o que o patrão manda, às favas com os compromissos sociais! Seguindo este raciosímio, quem tem é competente e quem não tem é vagabundo. Depois de estabelecido, fica fácil pensar assim.

Mas a classe média, que olha sempre para cima, para os ricos, almejando chegar lá, tem horror a olhar para baixo e dar de cara com quem não tem nada. Nada mesmo, principalmente oportunidade. Em vez de estender a mão aos que estão logo abaixo, a classe média abana o rabo para o que estão lá em cima, na esperança de um dia ser como eles. Diz que grupos como o MST querem a “anarquia” (só lembrando, anarquista não se agrupa e nem acredita organizações).

O garçom pergunta a Taís se ela não trabalha para o MST por dinheiro. E você acha que dá para trabalhar para um movimento desses sem estar envolvido ideologicamente? Ou alguém acha que o MST está pagando uma baba aos seus assessores? Quando estiverem, podem me chamar. Para falar bem do MST, hoje, eu falo de graça, porque acredito que estejam vivendo e fazendo o momento histórico de uma forma correta. Mas se estiverem dispostos e tiverem recursos para bancar minhas viagens, os colégios dos meus filhos, minhas coleções, meus pequenos luxos e minha vida de pequeno burguês, eu juro de pés juntos que sou MST desde pequeninho e defendo até os pontos com os quais não concordo, como uma das reivindicações ao governo ser pressionar os Estados Unidos para retirar suas tropas do Iraque. Qual dos financiadores do movimento tem interesse nisso? Vão brigar por esse monte de terra improdutiva que está na mão de um monte de ladrões – veja bem: estou falando de ladrão mesmo! Não de quem batalhou, cresceu e enriqueceu honestamente e tem direitos sobre o que conquistou. Façam isso e, junto às foices e enxadas, levantarei meu teclado e meu mouse.

Termina no post abaixo



Escrito por Sandro Fortunato às 20h46
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Nessa história toda, o que mais me chama atenção não são os acertos ou erros do MST, nem sua capacidade de organização, nem tampouco o que o governo Lula vai poder fazer por eles. O que mais me impressiona é a falta de informação, educação e politização da sociedade em torno dele. Estou falando dos que moram nas cidades, assistem TV, têm emprego. Em geral, as pessoas têm uma péssima imagem do MST e só conseguem lembrar dos seus, digamos, pontos polêmicos. A grande imprensa colabora muito para que isso aconteça. Afinal, dono de jornal, de rádio e de TV, quando não é latifundiário tem amigos que são. Se vocês quiser ter uma outra visão do MST, procure os documentários e as reportagens dos correspondentes internacionais que acompanharam a marcha. Os jornalistas daqui, em geral, vão escrever pela cartilha de quem paga seus salários. Até mesmo um, deslocado de São Paulo para cobrir a marcha (o cara deve ser muito bom ou poderiam ter colocado qualquer outro correspondente de Goiânia ou Brasília!) para um dos jornais mais “de direita” do país e que, não obstante a tímida cobertura ou mesmo às críticas ao movimento, ao final da marcha foi pedir autógrafo a João Pedro Stedile em um boné do MST! Talvez aquelas aulas de Sociologia e Política tenham feito, por um momento, o jornalista lembrar de seus antigos princípios...

Eu, que convivo com uma estudante de Relações Internacionais, me sinto um completo ignorante sobre Sociologia e Política. No meio de tanto Wight, Bull, Morgenthau, Gramsci e outros tantos, engulo em seco meus Marx e Engels e ouço, calado, o que ela tem a me ensinar. Talvez não exista nada mais distante de um trabalhador rural do que um diplomata, mas só quem estuda tanto pode entender o porquê de um movimento social como o dos Sem Terra. É o caso de Eduardo Suplicy e Leonardo Boff. O MST e sua importância só podem ser entendidos e vivenciados por quem luta por um pedaço de terra para viver dignamente e por intelectuais. A grande massa existente entre estes e aqueles fica assistindo uma pálida versão dos fatos na TV e achando que tudo é novela: desse personagem eu gosto, desse eu não gosto. E nunca vai saber ou entender que o “autor da novela” manipula a história como bem entende. De preferência, de acordo com o gosto do patrocinador.

Eu continuo adorando ar condicionado, computadores novos, máquina e gravador digital, viajar de avião, de receber prêmios em festas burguesas, das comodidades que o dinheiro puder comprar, mas não deixo de acreditar que todos merecem isso. Se por algum capricho do destino tive um pouco mais de oportunidades, não me sinto no direito de achar que este mundo deva ser reservado a poucos. E também não acredito que isso seja um problema só deles. É meu também.

Na próxima marcha, quero estar lá, acompanhando, registrando, fazendo parte dessa história. Quem sabe até lendo, na rádio comunitária, algo de Maiakovski e colaborando, poeticamente, com a construção de um novo mundo.

 

PS: Em breve, estas e outras fotos feitas por Taís Peyneau poderão ser apreciadas em um blog/flog com histórias vivenciadas durante a marcha. Informarei o endereço.



Escrito por Sandro Fortunato às 20h42
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:: Considerações sobre um nascimento

No último dia 16, nasceu Pietro Fortunato, meu primeiro – e provavelmente único – filho homem. Provavelmente único não porque possa ter outros por aí e eu não saiba, mas porque não creio que venha a ter mais um filho.

Fiquei ruminando dezenas de coisas em torno desse nascimento, principalmente com os fatos ocorridos nos últimos dias. Gostaria de falar sobre algumas delas.

1) Você não vai desmaiar, né?
Foi o que a obstetra me perguntou quando eu disse que gostaria de estar presente no momento do parto. Deu dicas do tipo “se começar a se sentir tonto, encoste-se à parede para não desabar no chão”. Eu ouvia com algum tédio, mas com atenção e respeito. Não estive presente aos partos de minhas filhas Aimée e Ananda, portanto admitia que pudesse ter alguma reação desconhecida. Admitia mas não acreditava. Primeiro porque eu estaria ali para dar apoio e segurança à mulher que amo. Para cuidar do parto e do neném, tinha toda uma equipe acostumadíssima a isso. Segundo, eu realmente não entendo um homem que na hora de proteger sua família tem um piripaque porque está vendo sangue. Que bosta de homem é esse?

Eu compreendo que as pessoas têm reações diferentes a tudo que possa existir, que algumas se sintam mal em um ambiente cirúrgico vendo um corpo aberto, órgãos expostos, sangue… mas continuo achando que “homem que é homem” não tem esse tipo de frescura – frescura mesmo! – porque os instintos de defesa e proteção falam muito mais alto do que qualquer coisa.

Avalio que temos passado por um processo de brutalização que esconde nossas fraquezas e nossos sentimentos. O cara é macho para se atracar com outro, para correr atrás de uma bola e ficar gritando palavrões, para bater no trânsito e descer pronto para a porrada, para desfilar músculos, coçar os bagos em público, cuspir, falar alto, alardear macheza e na hora de segurar a onda com a mulher que ele deveria proteger, desmaia porque não tem sustentação emocional, porque toda aquela fortaleza é só aparente.

Não “assisti ao parto” do meu filho. Eu acompanhei a minha esposa. Estava ao seu lado, segurando sua mão, acariciando seu rosto, dizendo o que estava acontecendo e o que iria acontecer no momento seguinte. Aquela criança que estava ali me dando um filho é muito mais forte que eu, que reclamo até dessa pança de chopp e que nunca fui submetido à cirurgia alguma. O mínimo que eu poderia fazer naquele momento era ser homem.

Acho que passei no teste.

2) O hospital e seus “habitantes”
Eu não gosto de hospitais. Menos ainda de médicos. Isso devido à “profissionalização” sofrida por aquilo que sempre vi como um sacerdócio. Em toda minha vida, conheci três médicos maravilhosos e dos quais eu obedeceria qualquer ordem: Marcos Fulco, oftalmologista; Ceci Uchôa, que trouxe minhas duas filhas ao mundo, e Meire Gomes, pediatra. Se qualquer um deles me dissesse para tomar veneno dizendo que é bom, eu tomaria. Estão tão acima da média e são tão competentes que a gente fica achando que tanto faz se seus colegas de branco são açougueiros ou pais de santo. Seria covardia comparar quaisquer outros que conheço a eles, mas a Dra. Rosângela, que conhecemos há poucas semanas e trouxe Pietro ao mundo também me parece muito séria e competente. O “conhecemos há poucas semanas” demonstra a peregrinação por vários outros “profissionais” que não agradaram em nada. Obrigado, Dra. Rosângela.

O hospital onde Pietro nasceu é particular, todo novinho, bonitinho e tal. E tão sem burocracia que chega a assustar. Nunca pensei que algum lugar em Brasília pudesse ser assim! Assusta também porque isso gera insegurança. Qualquer pessoa entra, a qualquer hora e vai a qualquer lugar.

Muita gente também não sabe se comportar em um hospital. Usam celulares como se estivessem em meio a um bombardeio mandando notícias de guerra para alguma rádio no outro lado do mundo, assistem televisão às dez da noite na maior altura, conversam nos corredores como se estivessem se comunicando com a torcida adversária do outro lado do Maracanã… Até enfermeiras agem assim. A propósito, elas adoram acender todas as luzes do quarto a cada dez minutos, durante toda a noite, como se estivessem torturando prisioneiros de guerra.

3) Alegrias e tristezas
Desconhecemos os dramas pessoais de nossos vizinhos. Na noite fria da segunda de Lua crescente que Pietro nasceu, outros dois partos foram feitos no mesmo hospital. Outros dois meninos. Ambos mortos. Já estavam assim nos ventres de suas mães. Os partos foram feitos para que fossem retirados. Confesso que não quis saber detalhes. Eu estava muito feliz com o nascimento de meu filho e pelo fato de ele ser grande e saudável. Como eu poderia conversar, naquele momento, com outros pais que viram seus sonhos desaparecerem, que estavam amargurados e infelizes? Tudo que eu dissesse poderia parecer muito fácil estando com meu filho bem ali no quarto. Mesmo que um dia eu já tenha passado por algo semelhante e até mais dramático. Nesses momentos de tristeza, mais nos que de alegria, eu lembro de agradecer por todas as bênçãos que me foram dadas.

4) Experiência, experiência, experiência…
Acho uma perda de tempo querer ensinar algo a uma pessoa. Acredito que o máximo que podemos fazer é sentar e assistir ao aprendizado de quem estiver por perto. Não dá para falar sobre o que você sente com o nascimento de um filho a quem não tem um. Também não dá para você tentar dizer a essas pessoas que “está tudo bem obrigado, pela atenção, volte daqui a alguns meses”. Só quem não tem filho visita alguém numa maternidade. Quem tem, sabe que naquele momento todos estão cansados e querendo se recuperar, que até um telefone tocando é estressante. Ligue para alguém próximo – os avós, os tios – e pergunte como estão a mãe e o bebê. Quando a criança estiver mais crescida, ambientada ao mundo externo, vacinada e a mãe tiver retomado suas rotinas (tanto quanto possível depois de um filho), aí começarão os momentos mais adequados para visitas. Uma amiga de Brasília mandou um e-mail dizendo que gostaria de ver Pietro e Anahi daqui a alguns dias, bem rápido e que sabe como são essas coisas. Sabe sim, ela tem três filhos. Pode vir, Andréa. Pode vir quando quiser.

5) Criança dá muito trabalho
Dá nada! Quem dá trabalho é adulto que foi mal criado. Criança é uma bênção. Tudo bem que eu esteja dizendo isso por também ser criança, mas não deixa de ser verdade. Quem diz que trocar fralda é algo que dá trabalho, nunca trocou uma. Criança precisa de atenção, amor e carinho. Como tenho tudo isso de sobra, não vejo qualquer dificuldade. Pode chorar durante a noite, Pietro. Se puder, chore baixo, mas pode chorar à vontade.



Escrito por Sandro Fortunato às 19h33
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:: Da Consolação ao céu de Sampa

Seriam apenas dois dias úteis para mostrar algo de São Paulo a Zé Luiz. Pensava em evitar, tanto quanto possível, meu programa preferido na cidade: passar horas em sebos. Wilson chegou e saímos da São Luiz (pertinho do famoso Edifício Itália) e descemos a Consolação em direção ao Municipal.

Era para ser tudo muito rápido, então ali está o Teatro, puxa máquina, faz foto, ali está o monumento a Carlos Gomes, puxa máquina, faz fotos... peraí... vamos fazer umas palhaçadas, agarrar as estátuas, pagar uns micos... pronto... entra rapidinho no Museu do Teatro, puxa máquina, faz foto...

Em seguida, começamos meu segundo programa preferido em Sampa: ziguezaguear pelas ruas do Centro antigo. De preferência, para comprar bugigangas a preços inacreditáveis. E dá-lhe bater pernas pela 24 de maio, 7 de abril, Barão de Itapetininga, entra em galeria, sai de galeria, sobe escada rolante, desce escada rolante, entra em lojas de fotografia, pára em banca de camelô... Comprei coisas extremamente úteis como uma toca rastafari e uma “máscara de motoqueiro” ou, como prefiro chamar, “máscara para assaltar banco”. Comprei ainda uma Kombi (morra de inveja, Mayra!) e um Fusca. Miniaturas, claro. Mas abrem as portas. Comprei também uma Docinho, das Meninas Superpoderosas, andando de skate. Só o essencial.

Lá pelas duas e meia da tarde, chegamos ao lugar onde “alguma coisa acontece em meu coração”. Não é a esquina da Ipiranga com a São João, mas sim o Grandes Galerias ou, como é mais conhecido, a Galeria do Rock. Para quem não conhece ou não sabe, o Grandes Galerias é considerado o shopping mais antigo do Brasil, tendo sido construído em 1962 (dez anos mais velho que eu!). São cinco andares com mais de 300 lojas de discos, tatuadores, salões de beleza, roupas pretas, mais roupas pretas, muito mais roupas pretas e um monte de adolescentes pensando que é doidão. Praticamente todas as camisas de bandas que usei nos últimos anos foram compradas lá. E daí que eu não cresço? Quem disse que eu quero crescer? Mas sabe de uma coisa... foi a primeira vez que entrei lá e não comprei algo para mim. Comprei para minha filha, Aimée, 12 anos. É... eu não cresço mas estou ficando velho.

Continuando... fomos até minha grande paixão paulistana: o Edifício Martinelli. Se eu fosse biliardário, eu o compraria só para mim e botaria todo mundo pra fora. Ia morar um dia em cada sala! Ter uma vista diferente de São Paulo a cada dia. Adoro aquele monstrão, que começou a ser construído em 1924 e é o primeiro arranha-céu de São Paulo. Há alguns anos, o Martinelli vem sendo recuperado e sua cobertura, onde morava seu idealizador e construtor, Giuseppe Martinelli, deverá abrigar um museu sobre a história do prédio. Isso se eu não comprá-lo antes e for morar lá...

Não deu para ir à cobertura do Martinelli. Chegamos 15 minutos depois do horário de visitas, que é bem pequeno: uma hora pela manhã e outra à tarde, de segunda à sexta (exceto quinta). Então fomos ao seu vizinho, o prédio do Banespa, que em 1947 tirou do Martinelli o título de prédio mais alto de São Paulo.

A melhor vista do alto do Banespa, adivinhe... é o Martinelli, visto de cima, bem pertinho. Tá bom, a gente vê a Catedral da Sé e todo o Centro antigo. Percebe como tudo é pertinho e que não tem mistério em andar aquilo tudo a pé. Estou falando do Centro, não de São Paulo inteira.

Curiosidade mórbida. Perguntei aos seguranças que ficam no alto do Banespa sobre as tentativas de suicídio. “Nenhuma”, garantiram. “As pessoas procuram lugares mais baixos. Do Viaduto do Chá ou do Santa Efigênia tem gente se jogando todo dia. Até porque daqui não dá para chegar ao chão”.  É verdade. A arquitetura do prédio do Banespa não permite isso. A criatura cairia alguns andares, se quebraria toda e teria que ir se jogando de novo até alcançar o chão.  Trabalhoso demais.

E lá do alto, pertinho do céu de Sampa, fizemos uma das fotos mais bacanas da semana: eu, Wilson e Zeck com São Paulo ao fundo. A segunda terminaria com visitas a alguns sebos e a expulsão de todos eles. Esse povo não gosta de trabalhar... vai apagando a luz, botando o cliente para fora. Assim essa cidade não vai pra frente nunca!



Escrito por Sandro Fortunato às 20h07
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:: Domingo no Masp

Na madrugada de domingo ainda rolaria uma Trash 80s, mas nem eu – o “único da época”, nem Tio Wilson, nem muito menos Zé Luiz, que acabava de chegar a São Paulo pela primeira vez, estava em condições de ir à festa alguma. Passamos pelo bar da Brahma, ali na Ipiranga com a São João e depois fomos conversar com Morpheu. Na foto acima: São João com Ipiranga pouco depois da meia-noite, Sandro por Zeck e Zeck por Sandro.

Manhã de domingo foi algo que não existiu para nós. Estava um clima bom para dormir. Não aquele frio que o Zé Luiz pensava que estava fazendo. Estava só bom para dormir. No início da tarde, saímos para uma caminhada pelo centro antigo: descemos a Ipiranga, almoçamos no chinês da Efigênia, passamos pelo viaduto, fizemos fotinhas de Zeck turistando e pegamos o metrô para encontrar Wilson no Masp.

Ainda chegamos a tempo de ver algo da feirinha que acontece sob o vão do museu. Às 17h, entramos no Masp.  E dá-lhe Botticceli, Bellini, Ticiano, Delacroix, Chagall, Manet, Monet, Renoir, Van Gogh, Degas, Cézanne, Toulouse-Lautrec, Matisse, Modigliani, Rivera, Di Cavalcanti, Portinari... Tudo assim de pertinho, muito pertinho, dando uma intimidade louca com cada um deles. Três andares, três exposições. Tudo meio corrido porque o museu fecharia em uma hora, mas valeu a pena.

Dali, fomos ao Belas Artes. Quando estive em São Paulo em maio do ano passado, as obras para reabertura estavam na fase final e eu estava louco para conferir como havia ficado. Assistimos O cárcere a rua. Recomendo com força. Não é “só” uma história sobre três presidiárias. É um filme que nos faz pensar nas várias prisões que a vida nos impõe, naquelas que nós mesmos criamos e na dificuldade em nos livrarmos delas. Não vai entrar em circuitão, portanto se não estiver passando na sua cidade, fique ligado naquelas sessões especiais ou naquela salinha que só passa coisa boa. Quem estiver no Rio ou em Sampa, já pode assistir. Aqui em Brasília, o filme certamente vai passar e morar por um bom tempo na Academia. Para matar um pouco mais sua curiosidade, vá ao site oficial: www.zeppelin.com.br/ocarcereearua

Lá pelas 22h, ainda tivemos a pachorra de atravessar a rua para conferir um sebo que vendia tudo por 3 reais. Não consegui achar nada que prestasse... tudo bem, vá lá, que me interessasse, mas serviu para conhecer outro, do mesmo dono, na Paulista. Esse sim, tinha umas coisas interessantes. Coleções de anos completos, encadernadas, de Eu sei tudo e Realidade. E com um preço acessível. Entrou para a lista dos meus pontos obrigatórios nas passagens por São Paulo.



Escrito por Sandro Fortunato às 22h52
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:: Da Sé ao Pulgueiro

Antes, mea culpa. Na madrugada de terça, 10 de maio, dia da cerimônia de premiação do iBest 2005, passei muito mal e a semana em São Paulo foi bem menos embalada do que havia programado. As fotos foram feitas, mas não tive a mínima condição de escrever. Portanto, os prometidos textos sobre minhas andanças pela paulicéia desvairada começam hoje. Iam começar ontem, segunda, mas eu tive que dar uma saidinha para ter um filho. Pois é: Papa Pietro Fortunato está no meio de nós.

:: Sábado, 7 de maio - Da Sé ao Pulgueiro

Sempre que vou a São Paulo, bato ponto em alguns lugares. A Sé é um deles. Foi lá, naquela praça onde o Brasil inteiro se mistura e mostra suas caras que marquei de encontrar Wilson, o até então virtual comentarista oficial deste blog e dos meus flogs. Naquele dia, eu teria certeza se ele existia ou era só um vírus de computador.

Chegar à Sé, andando, é um exercício maravilhoso para os mais observadores. Os sons vão mudando a cada meia dúzia de passos. É gente vendendo bolsas, camelôs empurrando CDs piratas em quem passa, evangélicos fazendo pregações, pessoas distribuindo santinhos, putas velhas fazendo programas por “déirreal”, sul americanos com suas malditas flautas de bambu, mendigos pedindo coisas ou aproveitando a diversidade cultural, turista fotografando a catedral e a polícia olhando, olhando, olhando... tudo na mais perfeita desordem mas sem tumulto, por favor!

Um cubo gigante coberto por panos pretos daria lugar, mais tarde, a um show ou alguma instalação modernosa. Na hora em que estive por lá, umas quatro da tarde, o show era de uma banda que tentava arrebanhar cristãos em ritmo de blues. Os que vivem nas ruas formam a primeira fila da platéia. Sentam no chão, batem palmas, acompanham com atenção e, alguns, até dançam. Outros vão passando e encostando no marco zero como se fosse um balcão de botequim. Eu saco a câmera e começo a filmar tudo. É meio exagerado chamar aquilo de blues, mas se qualquer gritaria hoje em dia é tida como “gospel”, então aquilo pode ser chamado de blues sem muito medo.

Pouco mais adiante, um “índio” vende beberagens (foto 1). Cabelos lisos compridos, chapéu, um microfone a Sílvio Santos que insiste em fugir da boca e ele vai ensinando os “segredos de sua tribo”. É um bom comunicador, tenho que admitir. Sabe fazer seu show. As pessoas vão se aproximando e querendo saber se aquele mistureba levanta mesmo algum defunto. Um já vai logo comprando. Deve ter comprado umas dez garrafas só naquele sábado. Pergunta se é bom mesmo e diante da resposta afirmativa sai com a garrafa no meio da multidão. Quem foi pescado faz o mesmo.

Depois conversei com o “índio”.  José Carlos Barbosa, um pernambucano que chegou a São Paulo em 1987 e desde então vende ervas na Sé. Veio de Caetés, cidade de Lula. Diz que o negócio funciona mesmo, que as pessoas voltam, agradecem. Eu acredito. Na Sé, todo mundo tem fé.

A essa altura já encontrei Wilson. Quero dizer, ele me encontrou, porque eu não só não sabia como ele era como até duvidava que existisse. Passamos rapidamente pela Casa da Marquesa de Santos e, de lá, fomos a pé para a Casa das Retortas, onde iria acontecer o Pulgueiro, uma “festa mix”.

Andamos pelo centro antigo e encostamos no balcão de um boteco para refrigerar a goela bem ao lado de um banheiro onde só pode entrar cliente do bar. Puta e vagabundo tem que pagar um real se quiser usar.

Depois do beer stop, chegamos ao Pulgueiro. Wilson encontrou uma amiga de longa data – uma vaca! (2) – e se agarrou a ela. O que o álcool não faz...

continua no post abaixo...



Escrito por Sandro Fortunato às 12h21
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:: Da Sé ao Pulgueiro (continuação)

Confesso que não sou muito chegado a essas “festas mix”. Acho tudo muito fake, muito poser. “No meu tempo não era assim”, é o que mais repito quando vou a uma delas. Acho mesmo que estou ficando velho. Ou os tempos mudaram e eu não mudei. Ou tudo ao mesmo tempo. Mas verdade seja dita, tinha uma galera tatuada por lá (3) que fazia as minhas tatuagens parecerem coisa de chiclete! Eu juro que quando for rico vou ficar daquele jeito! Pensando bem, não estou tão velho assim.

A desculpa para ir à festa foi o show do Fuleragem (4), que eu não via desde o Mada (festival de música que acontece anualmente em Natal – RN) de 2000! O show foi ótimo. A molecada – já não tão moleca assim –  continua mandando bem, mas quem roubou a cena foram os fãs da banda. Dançavam, pulavam, davam moches e, entre uma música e outra, faziam as pessoas rirem com os mais loucos refrões como “o povo unido é gente pra caralho!” ou “1,2,3... 4,5,6... 7,8,8,8,8,8,8...

E eu, cerveja numa mão, máquina fotográfica na outra e gravador... gravador... em uma das duas que já estava ocupada, ia registrando tudo. A garota do Kit Bolha (5), que não queria contato com o mundo exterior; o niilista (6) para quem “tudo é uma merda! Você é uma merda! Eu sou uma merda! Ele é uma merda! É tudo uma grande merda! O mundo é uma grande privada!” e “Cícera Bozzana(7), uma cearense que há muuuuitos (dois) anos mora em São Paulo e já aprendeu a falar “ê” quando se refere à segunda vogal. Essa versão loira e feminina do Padim Ciço não quis explicar nada sobre sua instalação – louquíssima por sinal! – que dentre outros apetrechos tinha um livro de Clarice Lispector, que ela nunca leu. Na parede, as frases: “Eu sou sozinha no mundo. Se um dia Deus vier à Terra haverá silêncio grande”. Como é fácil perceber, uma garota que não acredita em Deus e que já no berço lia Nietzsche.

Vagando um pouco mais pelo Pulgueiro, encontramos Pedro (8), um “paulista nascido no Chile”. Engraçado é ouvi-lo dizer que “nasci no Tile mas akora sô paulista”. Ele é o responsável por todos aqueles garotos que ficam nos sinais, por todo o Brasil, e que pensam ser malabaristas. Não consegui arrancar dele o porquê causar tamanha lástima e o que ele tem contra nosso país, mas... Logo adiante vimos uma drag (9) que, tanto eu quanto Wilson, pensamos ser a Laura de Vison. Apontei a câmera e fiz a foto. Ela levantou o olhar e eu saí correndo. Tá é louco! Devia ter uns 2 metros de altura!!!

Antes de sairmos para encontrar Sadovski e Mariza em Pinheiros, ainda conhecemos Milze (10), essa sansei, nissei, não sei... cheia de piercings que chamava a atenção de todos que passavam. Estilos e gostos à parte, a garota é muito bonita. Lá no meu flog, ela pode ser vista em outra foto com Plebeu, “ex-Edilson”, que tem quase tantos piercings quanto dentes.



Escrito por Sandro Fortunato às 12h14
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:: Fui ali ter um filho e volto já...

Pietro Fortunato já está aqui do lado de fora. Não obstante nossos esforços para que aguentasse até o próximo sábado e  viesse Geminiano, nasceu na noite desta segunda, Taurino com ascendente em Capricórnio. Já não havia mais espaço e a barriga não tinha mais para onde crescer. Nasceu com 50 centímetros e quase 3 quilos e meio. É bem calmo. Puxou à mãe.

Enquanto isso, o pai maquina formas de levá-lo ao papado e unificar o planeta sob seu reinado. Mais novidades em breve.



Escrito por Sandro Fortunato às 18h39
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