:: Onde estão as novas?

Duas coisas acontecem frequentemente comigo. A primeira delas é que, sob muito estresse, tenho pequenas falhas de memória. Pego o telefone e não sei para quem preciso ligar; lembro para quem é mas não consigo lembrar o número; quando disco, já não sei para quem liguei e por aí vai. Estresse puro. A segunda são umas recordações louquíssimas que vêm “do nada” enquanto estou extremamente concentrado em uma leitura ou edição de um texto ou, às vezes, através de sonhos. Lembro de coisas que me impressionam porque há anos não pensava nelas e que fica difícil acreditar que tenham permanecido guardadas em algum lugar na minha cabeça.

Uma que surgiu ontem me pareceu muito louca. A pergunta veio na minha cabeça como se alguém a tivesse formulado: “Que fim levou Nova?”. Para os mais jovens e aos não aficionados por quadrinhos, apresento: Nova é esse super-herói que aparece no centro da imagem que ilustra este texto.

Meu assessor para assuntos de quadrinhos – Roberto Sadovski, “a fucking expert” – respondeu fria e secamente: “Foi para o limbo quadrinístico”. Pobre Nova. Sumiu mesmo. Acho que a última vez que ouvi falar, digo, que li uma revistinha sua (dele) foi na primeira metade dos anos 1980.

Essa lembrança puxou outras.  Lembrei dos meus brinquedos de infância. Filho único até os sete anos, meus pais achavam que serem sócios da Estrela era uma boa idéia para me satisfazer. Se não, das outras marcas de brinquedos que existiam à época. Lembrei do Cai-não-cai (aquele jogo com varetas e bolas de gude), o Pula Pirata (relançado nos anos 1990), o Merlin (uma espécie de telefone vermelho com joguinhos, avô dos jogos eletrônicos e bisavô dos celulares) e do Falcon.

Ah, o Falcon! Aquele era um tempo em que garotos podiam brincar com um boneco que trocava de roupa. Acho que o fato de o Falcon ser militar facilitou sua entrada no Brasil naquela época... Bem, eu tinha vários. E também muitos equipamentos: o helicóptero que rodava as hélices (e que deve ter deixado muita criança cega ou com o rosto machucado por aí), o jipe com canhão anti-aéreo (sempre foi meu preferido) e uma infinidade de outros complementos. E o Falcon com olhos de águia??!!! Aquele que mexia os olhinhos pra um lado e pro outro. Acho que boa parte dos homossexuais que hoje estão na casa dos 30 aprendeu isso com o Falcon! Já os heteros sabiam que o Falcon era pegador e estava sempre caçando uma boneca Suzie de alguma amiguinha. De uma maneira ou de outra, o Falcon foi muito importante na iniciação sexual de muita gente da minha geração.

Playmobil, acreditem, eu nunca tive. E olha que nos anos 1970 aquilo era uma febre! Lego também não tive (isso pode ter causados certos traumas em mim). Em compensação tive uns brinquedinhos de encaixe aos quais eu chamava de “pinguilins”. Eram bem pequenos, pareciam esses sinais de trânsitos com vários lados. Devem ter sido proibidos. Eram um perigo, mas não lembro de ter chegado a engolir algum. Os muitos quase suicídios – ou homícios, já que eram os adultos que me davam – ficaram todos por conta das balas Soft. Foram algumas centenas de engasgos durante a infância.

E por falar em guloseimas, outras lembranças, mais recentes, foram chegando. As figuras e os álbuns do chocolate Surpresa (Animais do mundo inteiro foi o primeiro, alguém lembra?) e o Lollo. Que Milkybar que nada! Lollo é e sempre será Lollo. Milkybar, pra mim, é aquele bar onde a gang do Alex ia tomar leite aditivado no Laranja Mecânica. Aliás, que filme, hein?!! Na minha opinião, um dos melhores de todos os tempos.

E o Marcelo Nova, o que está fazendo ali? É que um Nova me fez lembrar outro. E, de uns tempos para cá, algumas bandas resolveram prestar reverências ao vocalista do Camisa de Vênus (ô, saudade!) e andaram regravando Hoje. Vejam que ironia... Hoje. Bidê ou Balde, com clipe de animação ainda rolando na MTV, e Charlie Brown Jr. em seu acústico.  Aos improváveis adolescentes leitores deste blog, Marcelo Nova é o pai da Penélope, “aquela tatuada dos peitão” que adora falar uma sacanagem (também) na MTV.

Pois então... minhas novas são todas velhas. E no próximo texto vou falar de uma coisa muita antiga mas que nunca sai de moda... Já pensou sacanagem, hein? Pois é sobre isso mesmo que vou falar. Venha conferir.



Escrito por Sandro Fortunato às 20h34
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:: Tipo assim... rapidão… com meus fantasmas

Os fantasmas do traço

Desde o carnaval, ando boa parte do tempo em companhia dos meus fantasmas. Dois deles, J. Carlos e Alceu Penna estão lá no Blog do Memória Viva. Mas tem um detalhe nessa história que não está por lá. Há poucos dias, ganhei o livro Alceu Penna e as Garotas do Brasil, esse aí ao lado. Qual não foi minha surpresa ao encontrar na última página, nas referências bibliográficas e outras fontes, uma relação de sites na qual aparecia o endereço do Memória Viva! Não é a primeira que o site é utilizado – e citado! – como fonte em um livro. A primeira, que eu tenha conhecimento, foi há 5 anos no tijolaço initulado 400 Nomes de Natal. Mas desta vez teve um gostinho especial por estar relacionado à revista O Cruzeiro.

O fantasma da máquina de escrever

Quem me presenteou com o livro sobre Alceu (lançado em 2004), foi Antônio Luiz Accioly Netto, filho de Accioly Netto, diretor de redação de O Cruzeiro por mais de 40 anos. Desde dezembro, estou com um calhamaço inédito de mais de 450 páginas deixado por ele, que faleceu em 2001. O material, datilografado em meados da década de 1980, passou por uma primeira revisão e começa a ser digitado. Será o primeiro livro da Editora Memória Viva. Aguardem.

Os fantasmas das revistas

Na próxima semana, seguindo o sucesso da idéia de O Cruzeiro on line, serão lançados pelo Memória Viva os sites das revistas O Malho e Careta, dois grande ícones da História da imprensa brasileira. As edições serão disponibilizadas em ordem cronológica desde o primeiro número de cada uma delas, de 1902 e 1908, respectivamente. Ontem, dei entrevista sobre o site e seus próximos lançamentos a um jornal de Palmas, no Tocantins. Quando a matéria for publicada, comentarei. Outras matérias sobre o Memória Viva podem ser vistas clicando aqui.

O fantasma da rua onde nasci

Este é um dos meus preferidos. Estou em dívida com ele há um bom tempo. A estrutura do seu site está pronta há mais de dois anos, mas uma teimosia minha não permite que o disponibilize. Estou sendo vencido. Em março, Lima Barreto ganha seu site no Memória Viva. Quando isso acontecer, conto aqui essa história de ele ter morado e morrido na rua onde nasci e fui criado.

Portanto, como é fácil perceber, meus fantasmas têm exigido muito de mim. Tenho dormido pouco e venho me sentindo muito cansado. Os assuntos para o Leseira vêm se acumulando mas, aos poucos, vou dando conta. Toda essa dedicação ao Memória Viva, além de amor pela História e por sua preservação, inclui uma boa dose de compromisso com as milhares de pessoas que visitam o site desde sua criação em 1998. Na primeira parcial para o Top 3 do iBest 2005, o Memória Viva aparece entre os mais votados na categoria Arte & Cultura. A você que já votou nessa fase, muito obrigado! Se não votou, ainda há tempo. Clique aqui e veja como é fácil.



Escrito por Sandro Fortunato às 10h00
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