:: Todo cais é uma saudade de pedra
Sim, estou vivo! Vivíssimo, de corpo cansado e espírito renovado. Bastaram 48 horas para perceber a verdade do dito "a gente só dá valor depois que perde". No meu caso, sempre dei valor, mas a distância apura o gosto.
Um final de semana e umas 250 fotos depois, Sandro em Natal nem lembra de Sandro em Brasília, o do exílio voluntário. Todos os lugares têm suas qualidades e seu defeitos. Natal não é diferente. E depois de 16 anos aqui, conheço todos muito bem. Até por isso, não vou estragar um único segundo destas duas semanas com qualquer defeito, por mínimo que seja.
Sobre as gargalhadas e todas as vezes que ouvi a palavra mais doce do mundo - "papai" -, reservo-me o direito egoísta de guardar qualquer comentário e dividir com um ou outro que esteja lendo a cumplicidade dos que sabem o que é isso.
Vou falar dos bons amigos que aqui estão. Notícias de todos, aos poucos vou colecionando. Assim como sorrisos e lembranças.
Zeck e Dany, o casal na primeira foto. Acho que rodamos Natal inteira neste final de semana! "Ponta Negra está assim! A Praia dos Artistas desse jeito! Essa pizzaria é ótima! Olha mais um monumento aos Reis Magos! Vamos fotografar! Para onde vamos agora?" Acompanhem nossas aventuras pelo Flog. No meu e do de Zeck. Aos poucos, fragmentos vão aparecendo por lá. Inclusive uma pagação de mico, momento tiete de Zeck e Dany com Otávio "Matosão pai da Zuca" Augusto no Cais 43.
Domingo com Zeca Baleiro de graça. De repente, percebi que todos os shows que vi de Zeca foram gratuitos. O primeiro, no Arpoador, no Rio, há alguns anos. Depois, no Teatro Alberto Maranhão, em Natal, eu de jornalista-penetra. Outro no final do ano passado, no Pátio Brasil, em Brasília… Reclama não, Baleiro. Eu tenho todos os seus CDs! Também contribuí para o leite dos Baleirinhos.
Chegamos à Cidade da Criança. Enquanto descíamos do carro, outro que estava logo atrás buzina. Era Valéria, a melhor cantora do Rio Grande do Norte, de invariável aposto. Beijos e abraços. Fã confesso e webmaster relapso (breve o site dela retornará ao ar e falarei mais a respeito), disse que estava ali para vê-la e não era confete. Que Baleiro que nada, este é arroz de festa. Valéria, só aqui ou no Japão. É, no Japão, onde ela já gravou mais discos que aqui. Valéria é dessas cantoras maravilhosas que o Brasil vai perdendo e o mundo ganhando.
Terminada sua apresentação, nem esperamos para conhecer Perfume de Gardênia. A esta altura, os alto-falantes anunciavam que 10 toneladas de alimentos haviam sido arrecadados até então. O que significava dizer que havia pelo menos 5 mil pessoas naquele espaço onde cabem pouco mais de mil (no espaço em frente ao palco). Tocamos para a Casa da Ribeira onde veríamos a última apresentação do ano de Muito barulho por quase nada, encenada pelos Clowns de Shakespeare.
Já falei sobre eles aqui no Leseira e certamente ainda vou falar muito. Conheço os Clowns desde sua primeira peça, em 1993. Era uma garotada que tinha acabado de sair do Colégio Objetivo. No mesmo ano, nasceu minha primeira filha, Aimée. Ontem, nós dois assistimos os Clowns juntos.
Na conversa após o espetáculo, fiquei quieto. Estou de férias, não iria bancar o jornalista naquela hora. Além do que, estava me deliciando com, pelo menos, cinco coisas: 1) o fato de estar ali com minha filha; 2) de ter assistido uma apresentação maravilhosa; 3) de estar com vários amigos, alguns que não via há anos; 4) de finalmente ter visto uma peça na Casa da Ribeira, que acompanhei a gestação mas não o parto, porque pouco antes fui morar em Brasília; e 5) estava orgulhoso de ter visto César e Fernando em início de carreira e acompanhado mais de uma década de muita ralação e talento.
Nem vou começar a falar deles, porque vai virar papo de fã. Prefiro reiterar o orgulho que sinto de acompanhar o nascimento e maturação dos talentos de minha geração. E lamento profundamente por quem não percebe isso. Qualquer notícia de sucesso que venha desses dois - e do todo o pessoal dos Clowns - nunca será surpresa para mim. Nem deve ser encarado por ninguém como um bafejo da sorte. Ali existe muito talento e trabalho. Os bons frutos que venham a ser colhidos - fui testemunha - foram plantados há muito tempo. E o trabalho de arado nunca parou. Talento e ralação têm sempre o mesmo resultado: SUCESSO.
Para finalizar, é necessário registrar a presença de Shanda. De todos que falei, é a que me conhece há mais tempo. Já são 13 ou 14 anos (no Flog, temos uma foto feita com Papai Noel há 8 anos). Ontem, além do mico que ela me fez pagar descendo, "de bunda e de costas", uma rampa no palco da Casa da Ribeira, matamos um pouquinho da saudade de tantos anos. Na última das cincos fotos, ela aparece com Bruno, seu namorado.
E está na hora do almoço. Estou de férias, mas isso é "psicológico". Você vai participar de minha viagem mas os textos ferinos vão continuar aparecendo no Leseira Geral durante este período. E não esqueça: Eu venho aqui todo dia.
Escrito por Sandro Fortunato às 14h56
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