:: Quer dar uma força à cultura brasileira?
Quero dividir uma boa notícia com os leitores do
Leseira Geral: o site
MEMÓRIA VIVA, do qual sou editor, é O ÚNICO
a aparecer nas 3 parciais para o TOP 10 do IBEST 2005 na categoria ARTE
& CULTURA.
Memória Viva foi Top 3
na categoria regional nas versões 2003 e 2004 do prêmio e
Top 10 na categoria Arte & Cultura em
2004. Esta é uma categoria muito disputada. Na última edição, também
foram finalistas Top 10, dentre outros, os sites Itaú Cultural, SESC-SP, CPDOC -
Fundação Getúlio Vargas, Santander Cultural, Bravo! On line, Orquestra Sinfônica
Brasileira. Perceberam o nível?
No dia 16 de dezembro, termina a
primeira fase de votação para o iBest 2005. Desse “peneirão”, no qual estão
concorrendo hoje mais de 530 sites, saem os 10 finalistas, que serão conhecidos
em meados de janeiro.
É um ótimo sinal ser o único site a aparecer nas 3
parciais, mas isso não é garantia de já estar no Top 10. Então, se você
ainda não votou, clique aqui e dê esta força ao
Memória Viva. Só é permitido um único voto por pessoa em cada
fase. Portanto, se puder, cadastre seus familiares, fale com os amigos, colegas
de trabalho e quem mais quiser colaborar com a preservação da memória da
cultura brasileira. Você também pode utilizar esta
página, para indicar o site aos seus amigos.
Se você ainda não conhece o Memória
Viva, clique no link a seguir e navegue por horas nos sites
biográficos e na revista O Cruzeiro:
www.memoriaviva.com.br
Se quiser saber mais sobre a participação do site no
iBest 2003, clique
aqui, e no iBest 2004, aqui.
Desde já, muitíssimo obrigado!
Escrito por Sandro Fortunato às 18h06
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Dias de Nietzsche em Turim, 6. Gregório de Mattos, 6. Samba Riachão, 12. Fala Tu, 8. Fellini: Eu sou um grande mentiroso, 8. A professora de piano, 12. Estes são alguns filmes aos quais assisti no Cine Brasília, um cinemão com mais de 600 lugares, inaugurado em 1960. Saliente-se: seiscentas largas e confortáveis poltronas, filas em degrau. Os números depois do filme não dizem a quantidade de vezes a que assisti cada um. Dizem o número de pessoas que estavam na mesma sessão que eu.
Aproveitando que você está sentado, devo dizer que além de ser um cinemão com telona e poltronas confortáveis, o ingresso para o Cine Brasília custa 6 reais. Se você for estudante, 3 reais. Digo mais: além desses filmes que citei, sempre tem Fellini, Bergman e outros diretores do mesmo nível na programação. Mesmo assim, o Cine Brasília vive às moscas.
Mas eis que, com toda pompa e circunstância, chega novembro e com ele o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Sessões lotadas meia hora depois de aberta a bilheteria, gente no chão, gente reclamando no saguão, gente enchendo a cara nos bares montados por ali... É um milagre muito maior que o da multiplicação dos peixes!
Multiplicam-se os bichos-grilos de ocasião. Sim, de ocasião. Contracultura é o cacete! Mané vai lá pra encontrar artista, filar uísque e tirar uma de intelectual. Essa figura tem nome: é o bicho-poser!
O bicho-poser fica naquela masturbação mental, naquele papo aranha, fazendo cara de conteúdo, repetindo chavões dignos de comunidade de debates na Internet: “O cinema brasileiro está numa fase ótima!”, “Ah, mas nada supera o Cinema Novo”, “Glauber é Glauber!” e uma infinidade de frases tão inteligentes quanto, em profícuas discussões de inestimável valor cultural.
Diferente do bicho-grilo de verdade, o bicho-poser não vai ao cinema para ver o filme. Ele vai para ser visto. Ou seja, se não tiver platéia, ele está fora. O bicho-poser quer que comentem que ele esteve lá, que ele assistiu ao filme, embora não tenha entendido nada e mesmo que não houvesse nada a ser entendido. O que importa é a resenha: “Fulano está sempre lá no Festival. Culto ele, não?”. Ô, vai ser culto assim na culta que o pariu. Sinceramente: não duvido que ele deva ser o mais culto lá na casa dele.
O Festival de Brasília pode até servir como algum tipo de termômetro para diretores e distribuidores, mas quem gosta de cinema fica de fora. Depois que a farofa com uísque acabar, vou assistir a todos, no mesmo Cine Brasília, imaginando que aquele cinemão é só meu e sem urros e balidos de críticos de ocasião e bicho-poser.
Para finalizar. Entreatos, “o filme do Lula”, estréia hoje, mas NÃO EM BRASÍLIA! O jeito é procurar Whisky, uma produção uruguaio-argentino. Ah, vai, filme argentino até que é legal...
PS: A imagem que ilustra o texto é uma homenagem ao Dia da Consciência Negra (20 de novembro), que passou e este pardo inconsciente que vos bloga esqueceu de falar a respeito. Nas fotos, Combatente e Togum, que aparecem no filme Fala Tu. Agora fala tu aí nos comentários.
Escrito por Sandro Fortunato às 18h48
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:: Batendo ponto
:: Cinema
Para não ser novamente acusado de “propaganda enganosa”, estou batendo ponto nesta quinta e fazendo jus ao “atualizado de segunda a sexta” dali de cima.
Como deve ter sido fácil perceber pelos textos da semana, ando meio de saco cheio de Brasília e seu estilo fake. Sem disposição para pagar mico, resolvi, pelo terceiro ano consecutivo, ficar bem longe do Festival de Cinema. O que eu queria realmente ver – sem urros de críticos de ocasião – está aqui. Pequenino mas na santa paz de Woody Allen, que é o nome do apartamento no qual eu moro. O Porta Curtas apresenta 8 dos curtas selecionados para esta edição do festival. Confira.
:: Ainda o Jô
E não teve quem ficasse acordado até uma da manhã esperando para me ver no Jô? No mailing, aviso o que é postado aqui, não o que faço por aí. E se um dia eu for ao programa, pode ter certeza que o mundo inteiro vai saber! Não está entendendo nada? Então leia o post de ontem, quarta.
Christiane, do site QDivertido, leu e resolveu passar mesmo no site do Programa do Jô para sugerir a entrevista. Outras pessoas me escreveram dizendo que fizeram o mesmo. Agradeço a todos. Se um dia aparecer por lá, não vai ter entrevista. Ocuparei todo o tempo com a lista de agradecimentos. Chris também me indicou o site de Thalita, uma alucinada jornalista e escritora (na foto), que apresenta em seu site, dentre outras coisas, a tresloucada campanha “Eu no Jô”. Conheça e divirta-se.
:: Ibope bombando
Esta semana, o Leseira Geral foi indicado pela segunda vez nos Blogs Legais na página principal dos blogs do UOL. Foram mais de mil visitas durante três dias. O fotolog teve o mesmo tratamento pela Diginet e vem registrando mais de 300 acessos diários a cada foto. Nos últimos dias, tenho apresentado meus amigos ilustres. Clique aqui para ver o álbum completo.
:: Indenização psicológica
Sempre atento, o DJ Leo envia outra derrapada de revisão, desta vez da Agência Estado. Só um comentário: se o UOL quiser, pode botar todos os números dos meus telefones na página principal...

:: Apesar de você...
...amanhã há de ser outro dia. Volto com o veneno escorrendo para falar sobre o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Ou melhor, sobre seus freqüentadores...
Escrito por Sandro Fortunato às 22h05
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:: Eu no Programa do Jô!

Há poucos dias recebi um e-mail que dizia o seguinte: “Assisti você pelo programa do Jô, li em uma revista que você tinha um site sobre O Cruzeiro, e no programa pediu para que fizessem contato as pessoas que possuíssem esta revista. Eu tenho 460 revistas que ganhei de um colecionador...”
A mensagem vinha de Guapé, município com pouco mais de 13 mil pessoas no Sul de Minas. Quem enviou foi a simpática e prestativa supervisora de uma escola que se interessou em colaborar com meu hercúleo trabalho no site O Cruzeiro on line. Mas que danado esse Jô, hein? O programa dele é visto no Brasil inteiro mesmo! E acaba fazendo com que as pessoas liguem e ajudem as outras. E lá vou eu para Guapé atrás da Cruzeiro...
Esta história seria perfeita se não fosse por um único detalhe. Eu nunca estive no programa do Jô. Nem como entrevistado, nem na platéia. É verdade que muitos jornais e revistas de todo o país fizeram matérias comigo por causa do site. Vez ou outra, algum veículo utiliza o material enviado à imprensa e faz algo mesmo sem entrar diretamente em contato comigo. Não raro, recebo um e-mail de alguém dizendo que tal programa falou do site ou que viu uma matéria em tal jornal ou revista. Mas uma coisa eu garanto e reafirmo: Eu nunca estive no programa do Jô.
E não é a primeira vez que isso acontece. Já me viram outra vez, há alguns anos, no mesmo programa. Ou tem alguém se passando por mim ou foi alucinação mesmo. Estou apostando na segunda opção.
Lembro de uma vez em que disseram que Lulu Santos havia falado no Programa Livre, nos tempos de SBT do Serginho Groismann, que não gostava de nordestinos. A turnê que ele estava prestes a fazer pelo Nordeste foi cancelada e passou-se muito tempo até ele poder pisar lá de novo. Só que ele nunca disse essa bobagem. Nem no programa do Serginho nem em qualquer outro lugar. O próprio apresentador tratou de desfazer a mentira. Pediu ainda que quem tivesse a tal gravação que enviasse ao programa porque eles mesmos, da produção, não tinham. A história cresceu e saiu em vários jornais e revistas.
Outra dessas aconteceu com Ziraldo. Ouvi a explicação do próprio, quando o entrevistei em setembro último. Há muitos anos, também no programa do Jô, criticando a revista Caras, ele disse que seria uma boa idéia lançar a revista Bundas e ainda sugeriu o slogan: Quem mostra a bunda em Caras, não mostra a cara em Bundas. Ziraldo começou a receber parabéns pelo lançamento da revista, que ela estava muito boa, que tinham gostado muito... Mas a revista não existia! Falaram tanto que algum tempo depois, em 1999, ele acabou lançando mesmo a revista Bundas.
Portanto, espero que continuem falando que estive no Programa do Jô. Com tanta repercussão, quem sabe o Gordo não se anima e me chama “de novo”?
PS: “Dons photoshópicos” a parte, a montagem que ilustra este texto é intencionalmente tosca para não deixar dúvidas: Eu nunca estive no programa do Jô! A foto original (ao lado) mostra o ator Luís Fernando Guimarães.
PS II: Aproveita e comenta sobre o que você mais gostou da minha entrevista no Programa do Jô.
Escrito por Sandro Fortunato às 14h20
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:: Hein?! Não tô entendendo!
Logo pela manhã, o atento DJ Leo, carioca que mora em Natal, pipoca no MSN dizendo: “Preciso te mostrar uma coisa”. Era a página principal do site do jornal O Norte, de João Pessoa (PB). A chamada em destaque anunciava: Comerciantes da Maciel Pinheiro faziram protesto por causa de interdição.
Sim, eles faziram isso com os leitores! Ou fizeram. Ou faziam. Ou jazeram. Ou Al Jazira. Sei lá. Só sei que faltou um revisor, um copidesque, uma boa alma – que não foi a minha nem a do Leo – que olhasse para aquilo e sugerisse uma correção.
Neste caso, não se trata de um jornalista analfabeto. É falta de revisão mesmo. A figura do copidesque – o profissional que, antigamente, revisava e refazia os textos dos jornalistas – não existe há muito tempo. E teve quem pensasse que o corretor do Word substituiria tal missão. Ledo engano que nem Ivo era.
A chamada já não está na página principal, mas a matéria continuava lá até o momento em que postei isto. Veja aqui.
Mas há coisa pior. Existe a falta do copidesque, existe o jornalista analfabeto e existe o completo retardado. Se não, alguém me explique este título em matéria do jornal O Povo, de Fortaleza (CE): Exame descarta suicídio seguido de homicídio.

O que mais me chocou não foi a impossibilidade de alguém se matar e depois matar outra pessoa. Talvez nem tão impossível assim. O suicida, do alto de um prédio, poderia se matar com um tiro e, com a queda de seu corpo, acabar com a vida de um desavisado que estivesse passando lá embaixo. Minha mãe quase morreu assim! Verdade. Um dia eu conto. O que me chocou mesmo é que foi preciso um exame para provar que alguém não cometeu um homicídio depois de haver cometido suicídio! Foi preciso um exame!!! Até onde vai o poder da ciência, não? Quer ver a matéria? Está disponível há dois meses. Clique aqui.
Isso me lembrou a história daquele legista durante o julgamento:
Advogado: Doutor, antes de fazer a autópsia, o senhor checou o pulso da vítima? Legista: Não. Advogado: O senhor checou a pressão arterial? Legista: Não. Advogado: O senhor checou a respiração? Legista: Não. Advogado: Então, é possível que a vítima estivesse viva quando a autópsia começou? Legista: Não. Advogado: Como o senhor pode ter essa certeza? Legista: Porque o cérebro do paciente estava num jarro sobre a mesa. Advogado: Mas ele poderia estar vivo mesmo assim? Legista: Sim, é possível que ele estivesse vivo e cursando Direito em algum lugar!
Concluiu o mesmo que eu? Existem idiotas em todas as profissões. Comente quais as piores que você já viu na sua área.
Escrito por Sandro Fortunato às 21h17
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:: Ave, São Jaguar!
Na Capital Federal, um político honesto entra em um boteco e pergunta qual é a boa pra noite. “Rock na veia”, responde o saci.
Brasília é assim, cheia de lendas: político honesto, boteco, rock, saci... Quinta passada, dia 18, o Correio Braziliense (sempre ele!) estampou na primeira página o que parecia ser uma troca de carinhos entre o jornal e o cartunista Jaguar: uma charge feita por ele, a pedido do Correio. Nela, sua autocaricatura levantando um copo e dizendo: “Meu grande amigo, o genial Oscar Niemeyer, só falhou numa coisa: não incluiu um boteco no Plano Piloto de Brasília”.
Bastou! A cortesia foi por água baixo (se fosse ao menos cerveja, mas água!) na edição do dia seguinte. Com direito à chamada de destaque em primeira página, o Correio decretava “A revolta dos boêmios”. Página inteira contra a meia do dia anterior. Até colunista entrou na briga para puxar a orelha do cartunista e lembrar que foi Lúcio Costa o responsável pelo planejamento da cidade. Por que ninguém “lembrou” disso antes de publicar a charge? Ou foi sacanagem mesmo?
Em resumo: algo bem brasiliense. Aquela coisa chata, picuinha barata, uma necessidade de auto-afirmação que não suporta bons humores, principalmente aqueles vindos da antiga capital.
Minha passagem por aqui, que já dura mais de três anos, talvez me credencie um pouco mais que meu conterrâneo para falar dos botecos de Brasília. É, Jaguar, eu tenho que dizer: você está certo. Aqui não tem boteco. Pelo menos não como a gente entende. Aqui também não tem praia, mas tem um dos maiores clubes de iatistas do país. E daí? Daí que Brasília é assim... inventada. Não é uma cidade normal. É capaz de lhe pedir um desenho, fazer um carinho num dia e baixar o pau no outro.
Sem nomes... um dos botecos citados pelos boêmios, na segunda matéria, fica aqui pertinho de casa. Eu ia bastante a ele. Até um dia que fui tocado de lá às 21h40. Em um sábado!!! Boteco aqui tem hora pra fechar e é muito cedo porque não pode fazer barulho. Boteco aqui, pra funcionar até o último freguês, tem que ser fechado e ter revestimento acústico. Dá pra chamar isso de boteco? Em Brasília chamam.
Das vezes que tentei me acostumar à chamada vida boêmia de Brasília, me deparei com a mesma coisa: o “tá na hora de ir pra casa” quando nos lugares normais estaria na “hora de ir pra rua”. Tudo muito poser, muito fake, muito “como será que estou?” Dá uma saudade louca daquelas esnobadas básicas de qualquer freqüentador de bar de Ipanema quando entra uma estrela de Hollywood querendo atenção. Ninguém tá nem aí e ainda acha que aquele gringo deveria estar andando no calçadão e não ali, que é lugar pra nativo. Nativo da boêmia. Aliás, boemia, sem pedantismo e como é usado aqui no Brasil. Como eternizado na voz daquele bom bico, Nelson Gonçalves. Favor não confundir com o Rodrigues, que não era tão chegado.
Irônico é que no mesmo dia em que Jaguar sofria a “revolta dos boêmios” de Brasília, o caderno Rio Show, de O Globo, em sua matéria principal, percorria os botecos do Rio em busca de uma bela capa branca. Não sabe o que é? É aquela cerveja estupidamente gelada, que chega branquinha e cervejeiro que é cervejeiro não deixa esquentar de jeito nenhum. Pois é, no quesito boteco, preocupação de carioca não é provar que tem, mas sim arrancar o que há de melhor neles.
E o Rock`n`Roll? Quando você escutar que Brasília é a cidade do rock, corrija. Brasília é a cidade-túmulo do rock. Tirando o Gate`s Pub e olhe lá, o rock mais perto rola nos meus headphones. Depois disso, só em Goiânia. Tema que dá outro post imenso! Vamos abrir uma pra relaxar... depois a gente fala sobre isso.
Escrito por Sandro Fortunato às 01h47
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:: A Teoria do Fusca
Você pode acreditar ou duvidar do que quiser: se existe ou não uma Matrix; se as mais mortíferas doenças foram ou não criadas em laboratório; se o homem foi ou não à Lua... Teorias existem aos montes e quase nunca são provadas. Esta que vou apresentar está mais que provada e nem por isso deixa de ser surpreendente. Leia por sua própria conta e risco. Nunca mais você vai andar na rua da mesma maneira.
A Teoria do Fusca diz o seguinte: Fusca, onde tem um, tem outro.
Ouvi isso há muitos anos e, claro, não levei a sério. Assim como você que, porventura, nunca tenha observado esse fenômeno. Então surgiu a Internet, esta forma de dominação do mundo (olha aí outra teoria!), e você começa a partilhar suas idéias malucas com milhares de pessoas.
Foi o que fez Luis Moraes. Ele pode até não ter formulado a teoria (se foi, parabéns, chegou aos meus ouvidos há anos!), mas provou que é verdadeira. Saiu por aí fotografando duplas de fusquetes. E criou um site. Isso em 1999. Muita gente entrou, confirmou e enviou fotos corroborando a teoria.
Eu, cético até a medula, pensei: “Bobagem! Se isso for verdade, não há melhor lugar para provar essa teoria do que Brasília. Aqui é mais fácil provar que BMW, Toyota e Mercedes andam em bandos do que Fusca em dupla”.
Resolvi ir a pé para o trabalho. Da minha casa até lá, são cerca de dois quilômetros e meio. O resultado está aí nas fotos. Foram feitas no primeiro quilômetro, em menos de 15 minutos! É meio difícil ver Fusca nessa cidade mas, quando aparece um, pode apostar, tem outro por perto.
A teoria foi comprovada. Mas preste atenção a um detalhe interessante. Em Brasília, quase todos os Fuscas são brancos. Chapa branca, colarinho branco... percebeu? Aqui, até Fusca é metido a besta.
Há até quem diga que Fuscas são meio como cachorros: eles param, chegam perto, cheiram a bunda um dos outros e, dependendo da situação, demarcam seu território com uma poça de óleo! Quem disse isso foi Emerson, colaborador do site Teoria do Fusca. Lá você vai encontrar dezenas de fotos de duplas (e até trios! Uma falha na Matrix!) de Fuscas. Algumas delas muito bem sacadas. Vai lá... eu vou sair por aí tentando entender os mistérios do mundo.
Escrito por Sandro Fortunato às 08h56
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:: What porra is this?
Shopping em Brasília (mas poderia ser em qualquer um, aí mesmo na sua cidade), estabelecimento do tipo Tabacaria e Jornaleiro. Entro, olho para o senhorzinho que está atrás do balcão e peço na maior cara-de-pau:
- Ãããnh, por favor, o senhor tem maconha? - ... o que? - Maconha. O senhor tem maconha? - Claro que não!! Tá pensando o quê?!! - Tô pensando que o senhor não conhece tudo que tem aqui dentro. Eu vi ali na vitrine. - Como?!!! O que...?!! - Está bem ali. Eu lhe mostro... E deve ser da boa! Aqui, ó: Pure Hemp. - Isso é papel pra fumo! - Sim. Pra botar maconha dentro, enrolar, passar a língua e tacar fogo na bicha. - Não!!!! É pra outro tipo de fumo! - Por acaso o senhor está achando que vai entrar aqui um capiau com uma palhinha no canto da boca, cuspindo de lado e perguntando: “Tem papér pa inrolar fumaí, sô?”. Aqui em Brasília... O senhor tá achando?! - ... - O senhor tá vendo o que está escrito aqui? Pure Hemp. Do you speak English? - ... - Anh? Do you speak English? Tell me: what porra is this? Come on, tell me, what porra is this? - … - Olha, meu senhor, vou explicar. Aqui está escrito Maconha Pura. Eu sei que o senhor não vende o conteúdo, mas o papelzinho pra enrolar a erva, seja qual for, o senhor vende. E este aqui tem o singelo nome de Maconha Pura, sacou?
Projeto de Lei do Deputado Aldo Rebelo (PCdoB/SP) que dispõe sobre a promoção, a proteção, a defesa e o uso da língua portuguesa quer, dentre outras coisas, evitar esse tipo de situação em que o vendedor ou o consumidor (ou ambos!) sequer entende o que está escrito no produto. O projeto é de 1999, já sofreu inúmeras emendas e continua tramitando lentamente pelos intestinos do Congresso.
Vamos analisar a situação descrita tendo como base o quarto dos oito artigos que compõem o projeto original. Nele, o deputado propõe que considerar-se-á:
I - prática abusiva, se a palavra ou expressão em língua estrangeira tiver equivalente em língua portuguesa; Tem. O produto deveria se chamar Maconha Pura.
II - prática enganosa, se a palavra ou expressão em língua estrangeira puder induzir qualquer pessoa, física ou jurídica, a erro ou ilusão de qualquer espécie; Pode. Qualquer um pode pensar que dentro daquela embalagem há mesmo cigarros de maconha. Pura. Coisa rara.
III - prática danosa ao patrimônio cultural, se a palavra ou expressão em língua estrangeira puder, de algum modo, descaracterizar qualquer elemento da cultura brasileira. Pernambuco está aí para mostrar que a produção nacional não deve nada à Jamaica. Poderíamos ter uma marca “Joaquim Nabuco” ou “Gilberto Freyre”, pernambucanos legítimos!
Baseado no projeto, também ninguém chamaria mais o cigarrinho do capeta de back. Temos denominações várias em nosso idioma para isso. Ô, se temos!
O projeto admite o uso de palavras ou expressões estrangeiras já registradas pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras. Copyright, pizza, jeans e slide, por exemplo, podem. Startar, printar, atachar e aberrações afins, graça a Deus e ao deputado, não poderiam.
Atualmente aguardando designação do relator da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, o projeto é polêmico. O professor Pasquale já sugeriu publicamente que o deputado continuasse trabalhando “por verbas (e qualidade) para a saúde e a educação” em vez de se preocupar com isso. Publicitários espetam agulhas de tricô em bonecos de pano com a cara do deputado, que aliás está licenciado. Alguém sabe me dizer o motivo?!
Quem já andou pela Barra da Tijuca no Rio de Janeiro ou em alguns lugares de Brasília pensa estar qualquer lugar, menos no Brasil. Os nomes dos estabelecimentos e os anúncios são todos em outras línguas, quase sempre inglês.
Como idioma oficial, o português é falado em oito países: Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. São aproximadamente 210 milhões de pessoas falando português. Se tirarmos os 170 milhões do Brasil, não temos um idioma, temos um código secreto desconhecido de outros 5 bilhões de indivíduos.
Não creio que seja por força de Lei que isso vá se resolver, até porque entre esses países não há um consenso de regras idiomáticas. Mas que alguma coisa precisa ser feita, isso precisa. E eu acho que começa lá na alfabetização, no primeiro grau, no incentivo à leitura de escritores brasileiros e de língua portuguesa, na prática da redação... Um pouco de auto-estima também não faz mal a ninguém. E estou falando de ter orgulho de utilizar a primeira e mais marcante característica de qualquer povo: o próprio idioma. Não estou falando de ter orgulho de um jogador de futebol que se recupera de um joelho bichado.
Assim quando entrarmos em uma loja e nos apresentarem uma mercadoria on sale ou 50% off, poderemos perguntar, na cara dura e sem parecer desrespeitoso, de forma bem brasileira: Que porra é essa?
Escrito por Sandro Fortunato às 19h07
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:: Entre carros e caminhões
Quarta, 23h30, TV ligada e eu assistindo Os outros pela milésima vez, a primeira dublada, com cortes e comerciais. Ao perto (ao contrário de “ao longe”), barulho de pega, racha ou seja lá como você chame essa demência de filhinho de papai aí onde você mora. Ligo para a polícia. Chama e ninguém atende! Deviam estar vendo Os outros também. Liguei durante o comercial. Atenderam. “Vou mandar uma viatura”. É sempre o mesmo papo.
Meia-noite e meia. O barulho continua e os urros da assistência não deixam boa parte da Asa Norte dormir. Ligo de novo. Do outro lado, uma voz feminina me diz que já averiguaram e o barulho é no autódromo. Eu já ia abrir a boca para perguntar quem é o imbecil que permite que um “evento” desses se realize àquela hora perturbando a paz pública quando vejo, pela janela, que há mesmo um pega nas vizinhanças. Alguns palermas deviam estar saindo do autódromo e fazendo graça nas ruas. Só sei que o barulho foi acabar lá pra uma da manhã. Depois de uns tiros.
Corte. Hoje, 10 da manhã. Existe um maldito vendedor de 40-banana-prata-por-doirreau e melancias que passa quase todo dia na minha rua. Às vezes o caminhão (esse aí da foto feita hoje, da minha janela) pára e um infeliz fica aos berros gritando “Banana-banana-banana-ana-ana-ana!!, Melancia-melancia-melancia-ia-ia-ia!!” por até 20 minutos. Para ninguém dizer que sou chato, clique aqui e escute apenas 5 SEGUNDOS dessa maravilhosa estratégia de venda. Venda da alma desse infeliz pro diabo, claro! A gravação foi feita de dentro do meu apartamento, que fica no terceiro andar, com um gravadorzinho digital e quando o caminhão ainda estava longe da minha janela. Experimente colocar seu programinha de som para repetir isso durante 20 minutos e amanhã você me conta como foram seus “sonhos”.
Brasília é uma cidade plana e aberta. O autódromo fica a alguns quilômetros de onde moro. Imagina como estavam as pessoas que moram mais próximas ao local! No Brasília Music Festival, eu dormi com Alanis Morissette cantando pra mim como se estivesse ali no canto do quarto. Vá lá. Mas em época de Micarecandanga é dose! Não dá pra dormir com um bregoso gritando refrões onomatopaicos ad nauseum ao pé do ouvido!
Todo mundo já ouviu falar da Lei do Silêncio que diz que é proibido fazer barulho das 22 às 7 horas. Mas se um vizinho seu está com o som nas alturas e você chama a polícia, sabe o que eles dizem? Que se é dentro da casa dele, a polícia não pode fazer nada. Como se o som dele chegasse até a parede, sumisse por encanto e não perturbasse ninguém.
Já tive problemas sérios com isso aqui mesmo em Brasília. Há pouco mais de um ano, só não botei a porta de um apartamento do prédio ao lado abaixo porque havia uma grade que a protegia. Quando cansei de esmurrar a porta, desci e desliguei a chave de energia do apartamento. Ainda fiquei 20 minutos esperando o palhaço descer para tentar ligar, mas parece que o “bom senso” dele resolveu se manifestar.
Toda cidade tem leis próprias sobre o silêncio. O novo Código Civil, que entrou em vigor em 11/1/2003, trata do direito de vizinhança e do uso anormal da propriedade e determina várias limitações ao domínio, com base no interesse privado. Qualquer tipo de ruído abusivo originário de uma propriedade qualquer, que venha a tirar a paz e o sossego dos vizinhos, pode ser motivo para que o proprietário sofra as restrições estabelecidas pela Lei.
Agora vou botar um Green Day para relaxar enquanto você comenta suas próprias experiências estrondosas.
Escrito por Sandro Fortunato às 14h44
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:: Tipo assim... rapidão... again!
:: De novo entre os melhores
Pela última parcial divulgada, o site Memória Viva já aparece entre os 5 mais votados na categoria Arte & Cultura na primeira fase do prêmio iBest 2005. Ele foi finalista TOP 3 na categoria regional RN nas duas últimas edições do prêmio e TOP 10 na edição de 2004 na categoria Arte & Cultura. Se você ainda não conhece, clique aqui. Se já conhece e sabe que ele é feito por uma gigantesca EUquipe que atende pelo nome de Sandro Fortunato, clique aqui e vote. Depois do voto, uma frase sua pode valer passagens e convites para a cerimônia de premiação em São Paulo, em maio de 2005.
:: Preá número 8
Recebi em novembro a Preá lançada em outubro e datada de setembro. A exposição da cultura nordestina, sobretudo a sertaneja, é algo admirável feito pela revista, que é editada em Natal (RN). Confesso que as entrevistas também têm me interessado muito. São registros de memória bem interessantes. Neste número, é a vez da governadora Wilma de Faria, a qual entrevistei em duas ocasiões quando de sua segunda passagem pela prefeitura. As edições 7 e 8 ainda não estão disponíveis na Internet, mas as de números 1 a 6 podem ser encontradas no site da revista.
:: Equilíbrio e disciplina
Sobre as imagens de um fuzileiro naval americano matando a tiros um civil iraquiano desarmado e ferido dentro de uma mesquita em Falluja, um superior diz que se isso aconteceu é uma mostra de que está faltando “equilíbrio e disciplina”.
Pergunto: Desde quando alguém minimamente equilibrado pensa em pegar numa arma?
:: Arquivos da Ditadura
Do Estadão: O secretário Especial dos Direitos Humanos, ministro Nilmário Miranda, disse que a idéia de João Luiz Pinaud de abrir ações na Justiça Federal para obrigar militares da ativa ou da reserva a dizer o que sabem sobre os desaparecidos e mortos pela ditadura é ingenuidade. "Esta proposta criaria muita espuma e nenhum efeito porque bastaria o militar dizer que nada sabe a respeito para a ação ser arquivada", comentou.
Pergunto: E se a gente torturasse eles?
Escrito por Sandro Fortunato às 09h35
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:: A neve chegou e trouxe o Natal

A cada ano, o Natal chega mais cedo. Em poucos anos, nós o estaremos comemorando logo depois do meu aniversário, que é em abril e, creio, viverei o suficiente para ver os enfeites de Carnaval serem trocados às pressas pela decoração natalina. Saem os veadinhos da Sapucaí e entram os veadinhos do Papai Noel.
Realmente me impressiona (sou um ser facilmente impressionável, já perceberam?) o que o comércio faz com datas que deveriam ser festivas ou mesmo religiosas. Veja o Natal. Para nós, brasileiros, a referência é o nascimento de Jesus. Mas diz quem ganha a parada: o menino na manjedoura ou aquele velho gordo da Coca-Cola?
Hoje, os shoppings já aparecem decorados dois meses antes do Natal. Sempre com muita neve para lembrar que estamos na Europa. E os animais do presépio? O que é presépio?! É um troço que antigamente se montava para representar o nascimento de Jesus. Burro e vaca, que nada! O lance é rena e urso. Já viu algum dos dois de perto? Não? Nem em zoológico?
E as idéias geniais para decoração dos shoppings? Vejam o pobre urso na foto acima. O bichinho deve ter morrido congelado há dias!! Procurei pais e mães que estivessem tapando os olhos de suas crianças para que não vissem o cadáver, que está exposto em um shopping de Brasília. Bem ao lado tem uma árvore gigantesca repleta de ursinhos crucificados. Sim, dezenas – talvez centenas! – com as patinhas abertas, oferecidos em sacrifício ao deus do consumismo. Só Chuck, o brinquedo assassino, para achar aquilo bonito.
Em um outro shopping há bonecos de neve (as crianças crescem achando que qualquer coisa branca é neve!) aos montes. Um deles lembra aquele bonecão de marshmallow do filme Os Caça-Fantasmas. Um terror!
E os Papais Noéis? Difícil escolher o mais ridículo. A criança vai até lá, empurrada pela mãe, olhando para aquela criatura inverossímil, esbugalhando mais e mais os olhos a cada passo... depois não querem que cresça traumatizada.
Podem até me chamar de velho Scrooge, mas meu humor natalino é outro. Há muito, mesmo depois de terem roubado meu VHS original há uns 15 anos, é o de A felicidade não se compra (It's a Wonderful Life), com James Stewart e Donna Reed. E já que somos colônia mesmo, prefiram Dickens e Frank Capra à milésima exibição de Esqueceram de mim na Sessão da Tarde.
I wish you a Merry Christmas desde já. E as coisas que ando vendo estão no Flog.
PS: O Word é politicamente correto. Sugeriu homossexuais em vez de veadinhos. Imagina: “os homossexuais do Papai Noel”!
PS II: Lembrei da história de Ariano Suassuna. "Não sou eu que não gosto de computador, é ele que não gosta de mim! Há poucos dias, uma amiga minha escreveu meu nome nele (no computador). Ele se recusou e sugeriu para que ela trocasse meu sobrenome Vilar por vilão, e Suassuna por assassino. Dessa forma, meu nome ficaria Ariano Vilão Assassino! Estão vendo só? É ele que não gosta de mim, me xingar desse jeito!"
PS III: A propósito, quem me contou essa história nunca mais passou por aqui.
PS IV: Acabaram os PSs.
Escrito por Sandro Fortunato às 02h08
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